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Segunda-Feira, 07 de Setembro de 2026 14:39

Vídeo mostra brigas, ameaças e momentos antes de agrônomo matar esposa covardemente a facadas e esfaquear filha em Lucas do Rio Verde: "É cadeia ou Spa?"

Imagens divulgadas pela família registram discussões entre Daniel Bennemann Frasson e Gleici Keli nos dias anteriores ao feminicídio; novo laudo apontou esquizofrenia e transtorno bipolar e voltou a concluir pela inimputabilidade do acusado, mas decisão final caberá à Justiça

Novas imagens de câmeras de segurança da residência onde a terapeuta capilar Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, foi morta pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, revelam uma sequência de discussões, desentendimentos e momentos de tensão entre o casal antes do crime ocorrido em 24 de junho de 2025, em Lucas do Rio Verde.

O material foi divulgado pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici. Segundo as informações apresentadas pelo defensor, as gravações reforçariam a versão dos familiares de que o relacionamento já era marcado por conflitos antes do assassinato.

As imagens mostram discussões envolvendo principalmente dinheiro e patrimônio. Entre os assuntos que aparecem nas conversas estão uma botina, uma antena Starlink e uma dívida de aproximadamente R$ 2,2 mil. Em determinado trecho, Gleici demonstra desgaste emocional e pede ao marido para encerrar a situação.

Família diz que houve ameaça dois dias antes do crime

Um dos pontos considerados mais graves pela família aparece relacionado aos dias imediatamente anteriores ao feminicídio.

De acordo com o advogado, dois dias antes do assassinato Daniel teria ameaçado matar Gleici e a própria filha. Uma mensagem exibida no material divulgado mostra que uma irmã do acusado teria orientado Gleici a esconder as facas da casa. Conforme o relato apresentado pelo defensor, Daniel descobriu posteriormente que a orientação havia sido enviada e teria ficado irritado.

As novas imagens passam a integrar o conjunto de informações utilizado pela família para contestar a alegação de que Daniel não possuía capacidade de compreender seus atos no momento do crime.

Câmera registra acusado pegando faca antes dos ataques

As gravações também registram momentos da manhã em que ocorreu o crime.

Segundo a reportagem que divulgou as imagens, Daniel aparece andando pela residência e demonstrando inquietação. Posteriormente, ele vai até a cozinha, pega uma faca e segue em direção ao quarto onde estavam Gleici e a filha.

A acusação sustenta que Gleici estava dormindo quando foi atacada. A filha do casal, então com 7 anos, estava na mesma cama e também foi atingida. Depois dos ataques, Daniel aparece novamente nas imagens com sangue nos braços e nas mãos.

O laudo de necropsia da Politec apontou que Gleici sofreu 16 golpes de faca, além de apresentar lesões compatíveis com tentativa de defesa. Algumas publicações feitas logo após o crime chegaram a divulgar números diferentes de ferimentos, porém o dado de 16 facadas consta nas informações posteriormente divulgadas com base no laudo pericial.

Consulta com psiquiatra estava marcada para o mesmo dia

Outro elemento divulgado pelo advogado da família é que Daniel teria uma consulta com um psiquiatra marcada para as 15h do próprio dia 24 de junho de 2025.

Segundo a versão apresentada, ele havia concordado em buscar atendimento. No entanto, horas antes da consulta, por volta das 6h55, teria pegado a faca e cometido os ataques contra a mulher e a filha.

Após matar Gleici e ferir gravemente a criança, Daniel também provocou ferimentos contra si próprio. Ele foi socorrido, passou por atendimento hospitalar e posteriormente ficou sob custódia judicial. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva.

Filha sobreviveu após semanas na UTI

A criança ficou gravemente ferida e precisou ser transferida para Cuiabá.

Ela permaneceu aproximadamente três semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, após receber alta, continuou realizando tratamentos médico, físico e psicológico. A menina passou a viver sob os cuidados da irmã mais velha, Caroline Fernandes.

Em manifestações anteriores, Caroline relatou que a irmã precisou reaprender atividades como comer e andar, além de continuar convivendo com consequências físicas e psicológicas do ataque. A família passou a utilizar as redes sociais também para cobrar Justiça pelo assassinato de Gleici.

“A vida era um inferno”, relatou filha de Gleici

Meses depois do feminicídio, Caroline tornou públicos relatos sobre a convivência da mãe com Daniel.

Segundo ela, Gleici viveu aproximadamente 15 anos de relacionamento com o engenheiro agrônomo e acreditava que conseguiria mudar o companheiro.

Caroline afirmou que morou durante cerca de seis anos com o casal e definiu aquele período como um “inferno”, relatando desentendimentos frequentes, episódios em que encontrava a mãe chorando e situações de forte abalo emocional.

A filha também publicou mensagens atribuídas a Gleici nas quais a vítima relatava sentir falta de apoio do marido em seus projetos profissionais e dizia se sentir desprezada dentro do relacionamento.

Esses relatos são utilizados pela família para sustentar que os problemas entre o casal existiam muito antes do assassinato.

Primeiro laudo apontou inimputabilidade e gerou contestação

A situação criminal de Daniel passou a ser discutida também sob o aspecto psiquiátrico.

Em setembro de 2025, o processo foi temporariamente suspenso para a instauração de um incidente de insanidade mental, solicitado para verificar se o acusado tinha capacidade de compreender o caráter ilícito de sua conduta no momento do crime.

Um primeiro laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec) apontou que Daniel poderia ser considerado inimputável, inicialmente associando a condição a um quadro psiquiátrico descrito como depressivo.

A conclusão provocou forte reação da família de Gleici e também foi contestada pelo Ministério Público de Mato Grosso.

Ministério Público apontou falhas no primeiro exame

Em dezembro de 2025, a Justiça acolheu a manifestação do MPMT e determinou uma nova perícia, desta vez realizada por uma junta oficial formada por pelo menos três especialistas em psiquiatria forense.

Segundo o Ministério Público, existiam dúvidas suficientes para impedir que o primeiro exame fosse considerado conclusivo.

Os promotores apontaram, entre outras questões, a falta de exames toxicológicos e farmacológicos capazes de afastar outras possíveis causas do quadro apresentado pelo acusado e defenderam uma avaliação clínica mais prolongada.

A Justiça determinou que a nova perícia também analisasse aspectos como eventuais períodos de lucidez e a possibilidade de simulação ou alteração deliberada de sintomas.

Novo laudo aponta esquizofrenia e transtorno bipolar

A nova avaliação foi concluída em junho de 2026.

O segundo procedimento realizado após a contestação do Ministério Público voltou a apontar que Daniel seria inimputável no momento dos crimes. Desta vez, segundo informações divulgadas sobre o documento, os especialistas apontaram diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar.

A avaliação foi realizada por uma junta composta por três especialistas e manteve, portanto, a conclusão técnica de que o acusado não teria plena capacidade de compreender a ilicitude dos atos no momento dos ataques.

Em julho, Daniel estava internado em uma unidade psiquiátrica particular em Cuiabá, após decisão judicial diante da ausência de vaga disponível no Hospital Adauto Botelho. As despesas da internação eram custeadas pelo Estado.

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