Uma análise realizada nos aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação contra o empresário Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos, e a esposa dele, Verginia Locatelli, de 45, revelou novos e graves elementos relacionados ao caso de exploração sexual infantil investigado pela Polícia Civil em Sorriso.
O celular atribuído a Fábio armazenava fotografias contendo nudez infantil, vídeos gravados dentro do quarto do casal e registros de navegação em páginas com contos eróticos envolvendo crianças e pré-adolescentes.
Os arquivos foram localizados durante perícia realizada nos celulares, computadores, dispositivos de armazenamento e equipamentos ligados ao sistema de câmeras da residência.
Em um dos vídeos, Verginia aparece trocando a roupa de uma criança dentro do quarto. Durante a gravação, ela orienta a menor a retirar peças de roupa, incluindo roupas íntimas, enquanto observa e acompanha a troca.
Em outra gravação, Verginia aparece colocando um biquíni em uma criança e após posicionar a menina e ajustar a roupa, a investigada abre a câmera de um celular, possivelmente com a intenção de fotografá-la sem que ela percebesse.
As gravações teriam sido captadas por uma câmera de segurança instalada no quarto do casal. Posteriormente, os vídeos foram encontrados armazenados no celular de Fábio.
Os diálogos e as movimentações registrados nas imagens foram transcritos pelos investigadores e incluídos no documento utilizado na instrução do inquérito.
Além dos vídeos, os peritos identificaram diversas fotografias envolvendo crianças. Entre os arquivos, segundo o relatório, havia imagens com nudez infantil, registros de crianças durante o banho e fotografias de corpos aparentemente infantis.
Também foram encontradas imagens de meninas ou adolescentes em fase de desenvolvimento, além de uma fotografia de uma criança do sexo masculino.
A Polícia Civil realizou diligências para tentar identificar uma das crianças que aparece nas gravações. Apesar de terem sido constatadas semelhanças físicas com uma menina ligada à família.
A perícia também analisou o histórico de navegação extraído do celular de Fábio. Foram identificados acessos a páginas com contos eróticos envolvendo meninas, crianças e pré-adolescentes.
Os registros teriam sido encontrados no histórico de navegação da internet como “o dia que peguei meu marido comendo nossa filha e abusada ainda menininha“
Em depoimento prestado anteriormente, Verginia reconheceu que recebeu de Tafnes Cavalheiro de Souza fotos e vídeos que mostravam crianças nuas. A mulher afirmou que visualizou o conteúdo e posteriormente apagou os arquivos.
Verginia também declarou que sabia que o marido recebia materiais semelhantes enviados por Tafnes e que teria orientado Fábio a bloquear a antiga cuidadora. Ela reconheceu ainda que foi negligente ao não procurar a polícia para denunciar o recebimento das imagens.
Fábio, por sua vez, permaneceu em silêncio durante o interrogatório, exercendo um direito previsto na Constituição. O depoimento de Verginia e o silêncio de Fábio foram noticiados anteriormente pelo JK Notícias.
Conforme a investigação, Verginia e Fábio teriam apagado mensagens e arquivos depois de tomarem conhecimento da prisão de Tafnes e da possibilidade de serem investigados.
Apesar das exclusões, os policiais conseguiram recuperar informações dos celulares, pen drives e demais equipamentos apreendidos. O material remanescente foi considerado suficiente para o avanço das investigações e para o pedido de prisão preventiva de Verginia.
Àépoca, a delegada Layssa Crisóstomo informou que mensagens haviam sido apagadas dos aparelhos, mas que a análise técnica conseguiu reunir novos elementos. A Polícia Civil não afirmou que a viagem de Verginia para o Espírito Santo tenha sido uma tentativa de fuga, já que ela não estava proibida judicialmente de deixar Mato Grosso. Veja a reportagem anterior sobre a exclusão das mensagens.
A investigação também identificou que Fábio teria feito consultas sobre como formatar um iPhone e apagar arquivos antes do cumprimento dos mandados.
Outra consulta atribuída a Fábio, ele perguntava ao ChatGPT como alguém poderia se aproximar de Deus após cometer um “crime grave”, mesmo depois de pedir perdão e continuar sendo atormentado pela própria consciência.
As pesquisas e conversas com advogados passaram a integrar os elementos analisados no inquérito. A existência dessa consulta religiosa, porém, não foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil em nota pública. O caso foi revelado pelo JK Notícias e repercutido por outros veículos.
A investigação começou após a prisão da cuidadora de crianças Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, no dia 29 de junho. Segundo a Polícia Civil, a análise do celular dela e as declarações prestadas durante o inquérito permitiram que os investigadores chegassem a Fábio e Verginia.
Tafnes afirmou que trabalhou anteriormente na residência do casal e alegou ter sido aliciada quando ainda era menor de idade. Ela também é investigada por supostamente produzir e encaminhar materiais de abuso sexual infantil.
Fábio foi preso preventivamente no dia 15 de julho, durante a Operação Puer Defensus. Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão. Os policiais recolheram celulares, computadores, mídias de armazenamento, fitas VHS, equipamentos do sistema de câmeras, armas e munições. A operação foi divulgada a partir de informações da Polícia Civil.
Verginia, inicialmente submetida a medidas cautelares, foi indiciada por crimes relacionados à produção, transmissão, disponibilização, posse e armazenamento de material contendo cenas de sexo explícito ou pornográficas envolvendo crianças ou adolescentes.
A prisão preventiva dela foi decretada pela Justiça no dia 9 de agosto. Verginia foi localizada e presa três dias depois, em 12 de agosto, durante uma viagem a Guarapari, no Espírito Santo, com apoio da Polícia Civil capixaba. Relembre a prisão da investigada.
Tafnes, que estava custodiada em uma delegacia, foi posteriormente transferida para a unidade prisional feminina de Colíder. A defesa pediu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar e alegou que as condições anteriores de detenção eram inadequadas. Confira os detalhes da transferência.
Fábio é investigado por estupro de vulnerável e por crimes relacionados à produção, divulgação e armazenamento de material de exploração sexual infantojuvenil. Verginia foi indiciada por crimes ligados à produção, transmissão, disponibilização, posse e armazenamento desse tipo de material.
As responsabilidades individuais ainda deverão ser definidas no decorrer do processo. O caso tramita sob sigilo por envolver possíveis vítimas menores de idade.