O professor Sinei Marinho Pedroso, acusado de envolvimento com organização criminosa e tráfico de drogas em Sorriso, vai continuar preso preventivamente. A decisão, publicada nesta terça-feira (09/03), é do ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que analisou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do investigado contra decisão da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), proferida em fevereiro deste ano.
Sinei está preso desde março de 2025, quando foi detido em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Segundo as investigações, ele também é suspeito de aliciar menores de idade para atuação em facção. Na tentativa de obter a liberdade, os advogados argumentaram que a prisão seria ilegal devido à demora no andamento do processo.
Eles alegaram que o inquérito policial foi concluído em maio de 2025, mas a denúncia só foi apresentada meses depois, o que caracterizaria excesso de prazo. A defesa também sustentou que o caso não teria grande complexidade, já que envolve apenas um investigado, e que a prisão estaria sendo mantida apenas com base na gravidade dos crimes apontados.
Com esses argumentos, os advogados pediram ao STJ a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a substituição por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica ou outras restrições.
Ao analisar o pedido, o ministro entendeu que não há ilegalidade evidente que justifique a soltura imediata. Na decisão, ele destacou que a análise mais aprofundada do recurso ainda será feita. Antes disso, o STJ deve solicitar informações ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso e ao juízo responsável pelo processo, além de ouvir o Ministério Público Federal. Após essas etapas, o tribunal poderá decidir de forma definitiva se a prisão preventiva será mantida ou não.
A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) exonerou, nesta terça-feira (18.03), um professor de matemática, identificado como Sinei Marinho Pedroso, de 42 anos, preso pela Polícia Civil sob acusação de integrar a facção criminosa Comando Vermelho e aliciar alunos da Escola Estadual Mário Spinelli, além disso ele teria feito os alunos darem um “salve” em outros alunos que estavam comentando sobre a ligação dele com o Comando Vermelho. A informação foi confirmada pela Seduc por meio de nota oficial.
“A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso comunica que determinou o afastamento imediato da função e exoneração do professor contratado da unidade que foi preso por suspeita de envolvimento com uma facção criminosa”, diz um trecho do comunicado encaminhado à imprensa.
O professor foi preso no final da tarde de segunda-feira (17) e é investigado pelos crimes de organização criminosa, tortura e sequestro. Nesta terça-feira (18), a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, mantendo-o sob custódia enquanto as investigações prosseguem.
A Seduc também informou que todas as medidas administrativas necessárias já foram adotadas, em conformidade com a legislação vigente. Além disso, estão sendo realizadas ações psicossociais para prestar apoio à comunidade estudantil afetada pelo caso.
O CASO
Alunos da escola estadual Mario Spinelli, em Sorriso foram vítimas de “salves” — castigo aplicado pelo Comando Vermelho (CV-MT) na cidade. As sessões de tortura foram ordenadas pelo professor de Matemática, Sinei Marinho Pedroso, de 42 anos, que foi preso pela Polícia Civil nesta segunda-feira (17/03).
Uma menor foi apreendida. Conforme o delegado Bruno França, responsável pelo caso, a PJC foi procurada durante uma situação de desespero por algumas das vítimas que alegavam que um professor estaria envolvido e possivelmente seria o mandante.
Segundo as vítimas, o professor é integrante do Comando Vermelho com a missão de fazer a arregimentação de membros entre os grupos de estudantes que ele leciona. O professor soube que as vítimas estavam fazendo “fofoca” desta atividade paralela dele e teria ordenado o sequestro dos “x-9”.
“Ele teria ordenado que alguns alunos e uma aluna sequestrassem e levassem até uma área verde para cometer essa tortura, que eles conhecem como ‘salve’.
A PJC conseguiu apreender a menina apontada como uma das sequestradoras, e ela imediatamente confessou a participação e apontou a participação dos outros menores”, informou o delegado França.
A menor apreendida alega que foi coagida pelo professor, pois todos os alunos têm muito medo dele. Quando ela apontou quem seria o mandante, a Polícia Civil já sabia de quem se tratava.
O suspeito teria dado abrigo aos assassinos de um homicídio que ocorreu no bairro Jardim Amazonas no começo deste ano, em Sorriso. “Os assassinos foram presos na casa desse professor. Ele estava dando abrigo aos executores da facção criminosa, que estavam lá fazendo uso de cocaína e maconha e com a arma do crime.
Naquela ocasião, não houve situação processual que permitisse a prisão do professor, mas ficamos com os olhos abertos e, quando nos foi relatado isso, não tínhamos a convicção de que poderia ser verdade. Até o momento, ele está preso por integrar organização criminosa, sequestro e tortura, e vamos analisar se há algum crime a mais”, finalizou.
As diligências investigativas continuam. O professor ficou em silêncio durante o depoimento.