O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Joel Ilan Paciornik, negou liberdade ao empresário Gabriel Júnior Tacca por envolvimento na morte de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, em Sorriso. A vítima foi morta após ter um relacionamento amoroso com a companheira do acusado.
De acordo com o documento, a defesa do empresário afirmou que a custódia se mantém baseada em fatos antigos, sem demonstração de risco atual à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Ressaltou ainda que Gabriel possui bons antecedentes, além de ocupação lícita e residência fixa. O ministro afirmou que a prisão está devidamente fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública. Pontuou ainda a gravidade do caso, já que Gabriel teria se beneficiado da relação de amizade para poder assassinar a vítima.
“No caso, as instâncias ordinárias, soberanas na análise dos fatos, entenderam demonstrada a periculosidade do agente, evidenciada pela gravidade da conduta, uma vez que o paciente teria agido contra a vítima com quem tinha relação de amizade, mediante premeditada dissimulação, para que o outro agente desferisse os golpes fatais de arma branca em razão de uma suposta traição extraconjugal. Tal conjuntura demonstra o risco ao meio social e recomenda a manutenção da custódia”, diz trecho do documento.
O crime, praticado na noite de 21 de março do ano passado, foi motivado por razão torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público, Gabriel e o comerciante Danilo Carlos Guimarães agiram de forma premeditada, em comunhão de esforços e com dissimulação. Após o ataque, Gabriel Tacca simulou solidariedade ao levar a vítima ao hospital, numa tentativa de ocultar a sua participação no crime. A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, aponta que o homicídio foi motivado por vingança pessoal. Ivan Bonotto mantinha uma relação de amizade com o casal Gabriel Tacca.
Com o tempo, Ivan passou a se envolver amorosamente com uma mulher, o que teria despertado em Gabriel um intenso sentimento de vingança e rancor. A descoberta da traição e do relacionamento extraconjugal foi o estopim para o cometimento do crime. As investigações apontaram que Gabriel Tacca e Danilo Guimarães inventaram uma narrativa de que o crime teria sido praticado no contexto de uma briga de bar, com a intenção de ocultar o plano para executar Ivan Bonotto. Os dois foram presos durante a Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil.
O JK Notícias teve acesso ao boletim médico detalhado de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, que morreu no último domingo (13.04), após passar 22 dias internado. Ivan foi esfaqueado durante um ataque registrado no dia 22 de março em uma distribuidora de bebidas.
De acordo com o documento, Ivan deu entrada no pronto-atendimento da unidade hospitalar por volta das 00h55, apresentando sangramento intenso e múltiplos ferimentos. Na admissão, ele estava confuso, com dificuldade para respirar e em estado de agitação.
O boletim aponta que Ivan sofreu um ferimento perfuro-cortante profundo no lado esquerdo do peito, com aproximadamente 20 centímetros de extensão, o que indicava possível risco a órgãos vitais. Havia ainda uma laceração significativa na mão esquerda, com sangramento ativo e suspeita de lesão ligamentar, além de um corte profundo no bíceps (braço) direito, com cerca de 10 centímetros, possivelmente atingindo músculos em profundidade. Outro ferimento contundente foi identificado na região do ombro esquerdo, logo acima da maior lesão torácica, com cerca de 5 centímetros.
Ainda conforme o boletim, Ivan relatou que foi esfaqueado, mas, devido ao estado de confusão e dor intensa, não conseguiu dar mais detalhes sobre o ocorrido.
O atendimento de emergência incluiu estabilização com fluidos intravenosos, administração de medicamentos e exames iniciais, como radiografias e exames laboratoriais. Diante da gravidade, o paciente foi rapidamente encaminhado ao centro cirúrgico e internado na UTI.
Ivan permaneceu internado desde então, mas, infelizmente, não resistiu às complicações provocadas pelos ferimentos.

O JK NOTÍCIAS teve acesso a fotos da arma e do local do crime. As imagens mostram a distribuidora coberta de sangue após Ivan ter sido esfaqueado. Segundo informações repassadas ao JK NOTÍCIAS, o assassino teria chegado pelas costas de Ivan e desferido as facadas, duas delas atingiram o pulmão e o coração da vítima.
O advogado do suspeito alega legítima defesa. Em entrevista, o delegado Dr. Bruno França relatou que o autor afirma ter sido alvo de ofensas raciais por parte da vítima.



Um novo vídeo obtido pelo JK Notícias mostra o momento em que o autor do assassinato de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, retorna à distribuidora de bebidas onde ambos estavam e desfere as facadas que tiraram a vida da vítima. Ivan foi esfaqueado na noite de 22 de março e, após semanas internado, não resistiu aos ferimentos e faleceu no último domingo, dia 13 de abril.
As imagens mostram que o assassino ido embora do local, mas voltou instantes depois e atacou Ivan pelas costas. O vídeo contradiz a versão de legítima defesa sustentada pelo advogado do acusado nas redes sociais.
Logo após a repercussão do caso, o advogado do autor do crime respondeu a comentários de internautas nas redes sociais do JK NOTÍCIAS e afirmou que seu cliente teria agido em legítima defesa. Em uma das respostas, chegou a afirmar que a faca usada no crime não pertencia ao seu cliente.
Em um dos comentários, um seguidor perguntou: “Já pegaram o autor dessa crueldade?” O advogado respondeu: “Por que crueldade? O meu cliente se defendeu e agiu em legítima defesa. Logo os fatos serão esclarecidos.”
Outro internauta questionou: “O local tem câmeras pra apurar se a vítima também estava armada? Legítima defesa? Ninguém anda com uma faca por aí.” O advogado respondeu: “Tinha, inclusive eu mesmo fui atrás para conseguir as imagens. A PJC também fez buscas. Você sabe quem estava com a faca inicialmente? Você estava no local? Se sim, sugiro que preste teu depoimento. A faca não era do meu cliente, que, inclusive, foi ferido.”
Antes de ser morto Ivan gravou seu assassino, nas imagens, Ivan aparece conversando com o suspeito, que, visivelmente embriagado, diz: “Sorriso é uma Dubai. Se você tiver dinheiro, você mata os outros aqui.” .O vídeo foi gravado pouco tempo antes da vítima ser esfaqueada pelo homem.
De acordo com o delegado Bruno, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o autor do crime foi identificado ainda nos primeiros momentos após o esfaqueamento. Um pedido de prisão foi feito pela Polícia Civil, mas o investigado se apresentou voluntariamente à delegacia. Ele não possuía antecedentes criminais.
As investigações apontam que houve uma briga no bar e, segundo testemunhas, tudo teria começado com uma provocação da vítima, o que ainda não pode ser confirmado. A motivação do crime, no entanto, é considerada fútil.
O autor, que está em liberdade, será indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil. Inicialmente, a polícia aguardava a melhora de Ivan para ouvi-lo oficialmente, mas com o falecimento da vítima, o inquérito será concluído e encaminhado ao Ministério Público.
Na madrugada do dia 22 de março, a Polícia Militar foi acionada até um hospital particular da cidade, onde Ivan deu entrada com múltiplas perfurações de arma branca. A proprietária da distribuidora relatou à PM que estava encerrando as atividades do estabelecimento quando presenciou uma discussão entre dois homens. Logo após, Ivan entrou no local ferido e pedindo socorro.
Diante da gravidade, a testemunha colocou a vítima em seu próprio veículo e a levou até o hospital. No local do crime, os policiais encontraram uma grande quantidade de sangue, uma faca e a caminhonete da vítima, uma Ford F-250 prata.