A biomédica e empresária Sara Oliveira, de Sorriso, abriu o coração ao falar sobre um dos momentos mais difíceis enfrentados desde que começou a construir sua trajetória profissional na cidade. Segundo ela, uma funcionária em quem depositava extrema confiança teria se aproveitado justamente de um período em que Sara enfrentava problemas de saúde para realizar sucessivos desvios financeiros dentro da empresa.
O prejuízo total ainda está sendo levantado, mas as primeiras conferências apontam valores expressivos. Conforme Sara, somente em determinados períodos analisados foram identificados desvios na faixa de R$ 12 mil a R$ 18 mil por mês. Com a revisão completa das movimentações, a estimativa é de que o rombo possa se aproximar de R$ 150 mil.
Para a empresária, porém, a maior dor não está apenas no dinheiro perdido, mas principalmente na quebra de confiança de alguém que ela considerava indispensável para o funcionamento do negócio.
“A gente se sente muito mal. Você chegar num lugar sem nada, como eu cheguei aqui, sem nada e sem ninguém, construindo uma coisa de cada vez, crescendo e prosperando… chega uma hora em que você depende das pessoas para te ajudar, porque sozinho você não dá mais conta”, desabafou.
Sara contou que atualmente sua empresa oferece serviços para médicos de toda a região e, devido ao volume de trabalho, precisa manter uma equipe formada por pessoas de confiança.
Segundo ela, justamente uma das pessoas mais próximas profissionalmente acabou traindo essa relação.
“Essa pessoa, que eu falava até que era o meu braço inteiro direito, aproveitou o momento de fragilidade que eu tive, doente nesses últimos meses, para desviar muito dinheiro”, afirmou.
Sara afirma que o que mais a abalou foi descobrir que os fatos teriam ocorrido enquanto mantinha contato diário e uma relação próxima com a funcionária.
“O que mais me doeu, o que mais me deixou chateada, foi que foi tudo na minha frente. Não negou, não escondeu. Simplesmente me fez de besta”, relatou.
A biomédica afirma que ainda não é possível determinar exatamente quando os desvios teriam começado. Após a descoberta, a empresa passou a revisar movimentações financeiras antigas.
Segundo Sara, durante a conferência os responsáveis chegaram às movimentações registradas a partir de fevereiro, mas a análise deve continuar para verificar se existem irregularidades anteriores.
“O valor exatamente a gente ainda não levantou. Desde quando começou eu também não sei. A gente foi voltando, olhando para trás e, quando chegou em fevereiro, a gente parou. Vai ser levantado todo o valor e também desde quando começou”, explicou.
Outro momento que marcou Sara aconteceu após a descoberta das supostas irregularidades.
De acordo com a empresária, a funcionária teria admitido o erro, pedido desculpas e solicitado que pudesse continuar trabalhando na empresa, mesmo que fosse transferida para outro setor.
“Pediu desculpa, pediu que eu não mandasse ela embora, que eu trocasse ela de setor. Disse que gostava muito de mim, que eu era uma pessoa muito boa, que precisava continuar ali, que sabia que tinha errado e pediu que eu perdoasse”, contou.
Sara também relatou uma situação que tornou a descoberta ainda mais difícil de assimilar. Conforme a biomédica, antes de tudo vir à tona, as duas chegaram a conversar sobre casos envolvendo pessoas que desviavam dinheiro de empresas.
“Ela falava: ‘Meu Deus, como pode alguém ter coragem de fazer uma coisa dessas? Nossa, tem que ter muita coragem’. E a gente conversando sobre isso enquanto ela estava fazendo a mesma coisa”, disse Sara.
O episódio ocorreu justamente durante uma fase delicada da vida da empresária. Sara enfrentou problemas de saúde nos últimos meses, mas, mesmo debilitada, continuou trabalhando para manter os atendimentos e os serviços prestados aos clientes, médicos e pacientes.
Ela afirma que foi justamente nesse período de maior fragilidade que teriam ocorrido parte das irregularidades.
Apesar do impacto emocional e financeiro, Sara garante que não pretende abandonar aquilo que construiu.
“A Sara continua trabalhando. Às vezes mais sorridente, às vezes mais triste, mas parar a gente não pode. Parar jamais”, afirmou.
Agora, segundo ela, o objetivo é reorganizar a empresa, contratar novos colaboradores e seguir oferecendo os serviços normalmente.
“É recarregar as energias, dar a volta por cima, contratar novos colaboradores e continuar oferecendo o trabalho que a gente sempre ofereceu, da melhor maneira possível e com a melhor qualidade”, declarou.
Após o que viveu, Sara decidiu fazer também um alerta a outros empresários de Sorriso e da região, principalmente sobre a necessidade de acompanhar mais de perto as atividades financeiras e verificar o histórico profissional de novos funcionários.
Para ela, a rotina corrida e o excesso de confiança podem abrir espaço para prejuízos que demoram meses para serem percebidos.
“Às vezes a gente está tão apurada, tão corrida, que acaba deixando a desejar um pouco. É nessa parte que a gente até se sente culpada, porque confia muito”, comentou.
Sara recomenda que empresários busquem referências antes das contratações.
“Hoje eu acredito que qualquer empresa deve puxar a fundo. Trabalhou em tal lugar? Liga, pergunta por que saiu, o que aconteceu, qual foi o motivo. Porque às vezes a pessoa chega contando uma história totalmente distorcida, pega você pelo emocional e é onde você acaba caindo”, alertou.
O levantamento financeiro da empresa continua sendo realizado para determinar o valor exato do prejuízo e o período em que os supostos desvios aconteceram.
O caso representa, para Sara, uma dura quebra de confiança, mas também um novo ponto de partida.
Depois de chegar a Sorriso, segundo ela, “sem nada e sem ninguém”, construir sua empresa e conquistar espaço profissional na cidade e na região, a biomédica afirma que agora o caminho é reconstruir a equipe, reforçar os controles internos e continuar trabalhando.
“Parar jamais.”