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Terça-Feira, 15 de Setembro de 2026 15:47

Sorriso registra 64 notificações de trabalho infantil em 11 meses, aponta levantamento

Um levantamento realizado em Sorriso analisou 64 notificações relacionadas ao trabalho infantil registradas no período entre setembro de 2025 e julho de 2026. Os dados fazem parte de um diagnóstico elaborado pelas Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETI), ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social.

O estudo foi apresentado em Brasília durante a etapa Centro-Oeste da 4ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), realizada nos dias 11 e 12 de setembro.

O trabalho, denominado “Diagnóstico das Notificações de Trabalho Infantil: experiência da AEPETI para subsidiar a Vigilância Socioassistencial”, buscou traçar o perfil das situações notificadas em Sorriso, além de identificar características das famílias e as regiões da cidade onde os registros estão mais concentrados.

Entre os dados apresentados, o levantamento aponta que 59,4% das notificações envolviam meninos e 35,9% meninas. A análise territorial identificou ainda que 68% dos registros estavam concentrados em determinados territórios de referência dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

O diagnóstico também mostra a atuação da rede municipal após a identificação das situações. Conforme o levantamento, 82,8% das notificações tiveram encaminhamento aos CRAS, enquanto 45,3% foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. Um mesmo caso pode demandar atendimento ou encaminhamento para mais de um órgão da rede de proteção.

Dados devem orientar ações nos bairros

A identificação das regiões onde estão concentradas as notificações é considerada uma das principais ferramentas do estudo. Com o mapeamento, as equipes da assistência social podem direcionar ações de prevenção, orientação às famílias, acompanhamento de crianças e adolescentes e articulação com escolas e outros órgãos da rede de proteção.

As 64 notificações analisadas correspondem a aproximadamente 11 meses de registros no município, demonstrando que situações relacionadas ao trabalho infantil seguem exigindo acompanhamento das políticas públicas em Sorriso.

É importante destacar que notificação não significa, automaticamente, a confirmação definitiva de um caso. O registro funciona como instrumento para identificar uma possível situação de violação de direitos, permitindo que os órgãos responsáveis façam o acompanhamento e adotem as providências necessárias.

O trabalho apresentado em Brasília foi desenvolvido pela psicóloga Claudinéia Facioni Bonacina, em parceria com Fabiana de Quadros Giovanardi, coordenadora do PETI, e Cladis Petrik, da Vigilância Socioassistencial.

A proposta é que os dados levantados pela AEPETI sejam utilizados para fortalecer a Vigilância Socioassistencial e ajudar no planejamento de políticas de prevenção e enfrentamento ao trabalho infantil em Sorriso.

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