Um levantamento realizado em Sorriso analisou 64 notificações relacionadas ao trabalho infantil registradas no período entre setembro de 2025 e julho de 2026. Os dados fazem parte de um diagnóstico elaborado pelas Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETI), ligado à Secretaria Municipal de Assistência Social.
O estudo foi apresentado em Brasília durante a etapa Centro-Oeste da 4ª Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), realizada nos dias 11 e 12 de setembro.
O trabalho, denominado “Diagnóstico das Notificações de Trabalho Infantil: experiência da AEPETI para subsidiar a Vigilância Socioassistencial”, buscou traçar o perfil das situações notificadas em Sorriso, além de identificar características das famílias e as regiões da cidade onde os registros estão mais concentrados.
Entre os dados apresentados, o levantamento aponta que 59,4% das notificações envolviam meninos e 35,9% meninas. A análise territorial identificou ainda que 68% dos registros estavam concentrados em determinados territórios de referência dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).
O diagnóstico também mostra a atuação da rede municipal após a identificação das situações. Conforme o levantamento, 82,8% das notificações tiveram encaminhamento aos CRAS, enquanto 45,3% foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. Um mesmo caso pode demandar atendimento ou encaminhamento para mais de um órgão da rede de proteção.
A identificação das regiões onde estão concentradas as notificações é considerada uma das principais ferramentas do estudo. Com o mapeamento, as equipes da assistência social podem direcionar ações de prevenção, orientação às famílias, acompanhamento de crianças e adolescentes e articulação com escolas e outros órgãos da rede de proteção.
As 64 notificações analisadas correspondem a aproximadamente 11 meses de registros no município, demonstrando que situações relacionadas ao trabalho infantil seguem exigindo acompanhamento das políticas públicas em Sorriso.
É importante destacar que notificação não significa, automaticamente, a confirmação definitiva de um caso. O registro funciona como instrumento para identificar uma possível situação de violação de direitos, permitindo que os órgãos responsáveis façam o acompanhamento e adotem as providências necessárias.
O trabalho apresentado em Brasília foi desenvolvido pela psicóloga Claudinéia Facioni Bonacina, em parceria com Fabiana de Quadros Giovanardi, coordenadora do PETI, e Cladis Petrik, da Vigilância Socioassistencial.
A proposta é que os dados levantados pela AEPETI sejam utilizados para fortalecer a Vigilância Socioassistencial e ajudar no planejamento de políticas de prevenção e enfrentamento ao trabalho infantil em Sorriso.