O Tribunal do Júri de Sorriso condenou quatro homens pelo assassinato de Maurício dos Santos Silva de Araújo, de 23 anos. O jovem foi morto após ser amarrado, interrogado e brutalmente agredido. Posteriormente, o corpo foi jogado no Rio Lira.
O julgamento ocorreu na terça-feira (1º). As penas aplicadas a Alison Antônio Silva Vieira, Max Matos de Sousa, Eduardo Vieira da Conceição e Willian da Silva Soares somam 110 anos de prisão, conforme informações divulgadas pelo Ministério Público de Mato Grosso.
Todos foram condenados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Alison, Max e Eduardo também foram condenados por participação em organização criminosa.
Alison Antônio Silva Vieira foi condenado a 36 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, organização criminosa e corrupção de menores.
Max Matos de Sousa recebeu pena de 25 anos e dez meses de prisão pelos mesmos crimes.
Eduardo Vieira da Conceição também foi condenado a 25 anos e dez meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, organização criminosa e corrupção de menores.
Willian da Silva Soares foi condenado a 22 anos e quatro meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores.
Segundo as investigações, o crime ocorreu no contexto de atuação do Comando Vermelho. Os envolvidos teriam suspeitado que Maurício pertencesse ao Primeiro Comando da Capital, facção rival.
A suspeita surgiu por causa de uma tatuagem no peito da vítima. O símbolo “yin-yang”, conhecido por representar o equilíbrio entre forças opostas, foi interpretado pelos criminosos como um possível indicativo de ligação com o PCC.
A investigação apontou que Max, Willian e um adolescente levaram Maurício à força para uma quitinete. No imóvel, o jovem foi dominado, amarrado, interrogado e agredido.
Posteriormente, Eduardo chegou ao local, interrogou Maurício sobre a suposta ligação com a facção rival e também participou das agressões.
Na sequência, Maurício foi levado para um terreno baldio. Conforme a acusação, Alison se juntou ao grupo e realizou uma chamada de vídeo com outros integrantes da organização criminosa.
Enquanto permanecia amarrado e subjugado, Maurício continuou sendo interrogado sobre uma possível ligação com o PCC. Durante as agressões, os envolvidos utilizaram um pedaço de madeira para atingir a cabeça da vítima.
O exame pericial apontou que Maurício morreu em decorrência de traumatismo craniano provocado por ação contundente.
Depois do homicídio, o grupo transportou o corpo e o lançou no Rio Lira com a finalidade de ocultar o crime. O cadáver foi encontrado na manhã seguinte, preso entre galhos, amordaçado e com os pés amarrados.
O Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio foi praticado por motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
O motivo torpe foi caracterizado pela disputa entre organizações criminosas e pela suspeita de que Maurício pertencesse a uma facção rival.
O meio cruel foi reconhecido em razão da sequência de interrogatórios e agressões sofrida pela vítima antes da morte. Já o recurso que dificultou a defesa ocorreu porque Maurício permaneceu amarrado, subjugado e em inferioridade numérica diante dos agressores.
Os jurados também reconheceram a ocultação de cadáver, em razão do lançamento do corpo no rio, e a corrupção de menores, devido à participação de um adolescente na ação criminosa.
O promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, que atuou no julgamento, afirmou que o Estado não aceitará que organizações criminosas promovam julgamentos clandestinos e decidam quem pode viver ou morrer.
Maurício foi encontrado morto na manhã de 13 de janeiro de 2024, na região conhecida como Poção do Rio Lira. O corpo foi localizado por integrantes de um grupo religioso que estavam no local.
Conforme noticiado pelo JK Notícias na época, o jovem viajava de ônibus e tinha o Maranhão como destino final. Entretanto, ele desceu em Sorriso e deixou seus pertences dentro do veículo.
A família buscava respostas sobre o motivo de Maurício ter desembarcado na cidade e sobre o que teria acontecido antes da morte.
Durante as primeiras diligências, a Polícia Civil encontrou documentos da vítima em uma residência apontada como ponto de comercialização de drogas. Suspeitos foram identificados e presos poucos dias depois da localização do corpo, conforme reportagem publicada pelo JK Notícias em 19 de janeiro de 2024.