A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro da Delegacia de Sorriso, deflagrou nesta terça-feira (19/05/2026) duas grandes operações simultâneas. A ação mirou organizações criminosas envolvidas em corrupção, fraudes bancárias, falsificação documental e lavagem de dinheiro.
No total, as ofensivas resultaram no cumprimento de 7 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e suspensão de funções públicas. O principal elo entre os dois esquemas investigados é um Juiz de Paz da cidade, que acabou preso sob a acusação de usar o acesso a procedimentos cartorários para facilitar as fraudes. Um guarda municipal, apontado como liderança operacional de um dos esquemas, também foi alvo.
Operação Eidolon: Desvio de veículos apreendidos
A segunda fase da Operação Eidolon focou em uma associação criminosa estruturada para desviar veículos (principalmente motocicletas com pendências administrativas) que estavam sob a guarda do pátio conveniado da administração pública municipal de Sorriso.
Segundo as investigações lideradas pelo delegado Thiago Meira, o grupo identificava veículos com baixa probabilidade de serem recuperados pelos donos legítimos. Com a ajuda de servidores públicos e pessoas ligadas a cartórios, eles utilizavam procurações fraudulentas e termos de liberação falsificados para retirar e regularizar os automóveis de forma ilícita.
Nesta fase, a 2ª Vara Criminal de Sorriso expediu:
05 mandados de prisão;
09 mandados de busca e apreensão;
Afastamento do sigilo financeiro de oito investigados e bloqueio de contas.
O significado do nome: “Eidolon” vem do grego e significa “reflexo” ou “imagem projetada”, uma alusão à duplicidade e à falsidade documental utilizadas pelos criminosos para encobrir os rastros.
Operação Falso Mestre: Golpe do financiamento e traição de confiança
A segunda operação do dia, batizada de Falso Mestre, revelou um esquema interestadual de estelionato. A investigação começou após uma vítima denunciar que havia sido induzida a entregar seus documentos pessoais a um antigo professor, em quem confiava, sob o pretexto de realizar uma matrícula no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
De posse dos documentos, o investigado abriu financiamentos fraudulentos de veículos de luxo e alto valor, como um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, gerando dívidas de dezenas de milhares de reais em nome da vítima.
Novamente, o Juiz de Paz da cidade é apontado como peça-chave ao facilitar a emissão de procurações falsas no cartório local. A operação cumpriu 02 mandados de prisão e 07 de busca e apreensão, revelando ramificações que se estendem para fora do estado.
Conexões nacionais e apoio policial
Diante da complexidade técnica e do caráter transnacional e interestadual dos crimes, a operação contou com um forte aparato de inteligência e o apoio de polícias civis de outros estados da federação.
Foram cumpridos mandados de busca em Balneário Piçarras (SC) e um mandado de prisão na comunidade Novo Céu, em Autazes (AM).
O delegado Thiago Meira ressaltou a importância da atuação integrada entre a Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário para descapitalizar os grupos criminosos:
“Investigações envolvendo crimes financeiros e lavagem de dinheiro demandam elevado grau de complexidade técnica. O foco principal é a identificação da estrutura financeira e o rastreamento patrimonial para sufocar as atividades ilícitas”, destacou a autoridade policial.
Os suspeitos responderão, de acordo com suas participações, pelos crimes de organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e inserção de dados falsos em sistemas de informação.