Produtores rurais de Sorriso passaram a integrar um programa internacional de certificação que remunera práticas sustentáveis na produção de soja. A iniciativa, conduzida pelo Clube Amigos da Terra (CAT) por meio do projeto “Gente que Produz e Preserva”, implementa o padrão europeu Roundtable Responsible Soil (RRS), criado em 2006 por produtores, indústrias, associações e organizações ambientais.
Conforme a coordenadora de projetos de eventos do CAT, Cristina Delicato, o objetivo central do programa é garantir ao consumidor a origem sustentável dos alimentos. “O consumidor quer saber se o produto que ele está consumindo é de origem sustentável. Essa foi a principal razão dessa certificação estar sendo implementada no mundo inteiro”, afirmou.
O padrão internacional já soma aproximadamente 7 milhões de toneladas certificadas no mundo, sendo 690 mil toneladas produzidas apenas pelo grupo local neste ano.
Para ingressar na certificação, o produtor precisa cumprir 108 itens obrigatórios, que envolvem critérios ambientais, sociais e estruturais. “O produtor é auditado anualmente para saber se está cumprindo esses itens. Uma vez evidenciado e constatado pela auditoria externa, a produção dele é validada”, explicou.
Cada tonelada de soja produzida se transforma em um crédito ambiental virtual, negociado com a indústria por meio de uma plataforma internacional. “Assim que o produtor é aprovado, sobem esses créditos para a plataforma e eles são comercializados com a indústria, que remunera o produtor pelas boas práticas”, disse Cristina.
A certificação também gera ganhos financeiros. “O crédito acaba agregando maior valor. O produtor pode ganhar entre dois a cinco dólares por tonelada ou por crédito”, afirmou. Os créditos levam em conta fatores como baixa emissão de carbono, redução de defensivos, uso de biológicos, preservação ambiental, manejo adequado e responsabilidade social.
Entre os 108 itens exigidos, Cristina cita alguns exemplos: “A propriedade deve ter áreas consolidadas desde 2008. O produtor precisa apresentar plano anual de redução de defensivos químicos e substituição por biológicos. A propriedade deve oferecer estrutura adequada aos funcionários, como alojamentos em boas condições e cantina arejada. Há também exigências sociais, como participação do produtor em ações comunitárias e projetos ambientais.”
Outro eixo do programa é a educação ambiental nas escolas, iniciativa que busca aproximar as novas gerações das práticas sustentáveis do campo. “A questão do agro na escola é levar o que o produtor já está fazendo. Eles cumprem normas técnicas para um bom desempenho da produção”, explicou.
Cristina reforça que a iniciativa também orienta produtores que ainda não adotam práticas sustentáveis. “É uma maneira de mostrar para a sociedade que aquele alimento que chega na mesa tem origem sustentável e vem de uma fonte confiável”, concluiu.
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