A defesa de José Alves dos Santos, réu pelo feminicídio da ex-companheira, Jacyra Grampola Gonçalves da Silva, de 24 anos, morta a tiros em um pesqueiro de Sorriso (MT), no dia 17 de agosto de 2025, recorreu da decisão que o pronunciou para ser julgado pelo Tribunal do Júri. O recurso aguarda análise pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A defesa de José Alves, promovida pela Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT), pede a revogação da prisão preventiva do réu e ainda sustenta “condições pessoais favoráveis” do suspeito e “inexistência de risco concreto à ordem pública ou à instrução criminal” caso seja solto. No recurso, é pedido ainda a exclusão da qualificadora de feminicídio, ou seja, que o caso seja tratado como homicídio comum. Segundo a defesa, não há provas de que o crime tenha sido motivado pelo gênero da vítima e que a acusação se baseia em “presunções e interpretações indiretas”.
Na época do caso, Jacyra tinha solicitado medidas protetivas para evitar aproximação do ex-companheiro e relatava a amigas que sofria perseguição após o término. As medidas haviam sido deferidas pela Justiça. Contudo, a defesa de José contesta e pede afastamento da qualificadora de descumprimento de medida protetiva, defendendo que ele não teve “intenção de violar a medida”. Além disso, é citado ainda “insuficiência probatória para a pronúncia”, ou seja, ausência de provas mínimas e robustas quanto à autoria e materialidade do crime, mesmo diante de vídeo gravado por câmeras de segurança do pesqueiro, que mostra José Alves se aproximando e efetuando disparos contra a jovem.
Atualmente o recurso aguarda análise pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O Primeira Página entrou em contato com a assessoria da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT) a respeito da tese defensiva adotada, mas até o momento não obteve retorno. A reportagem também busca o Tribunal de Justiça (TJMT) para verificar se há previsão de data para que o recurso seja analisado, contudo ainda não houve resposta. Espaço segue aberto para manifestações. Perseguição e dia do crime Conforme a denúncia do Ministério Público (MPMT) José Alves dos Santos, matou a ex-companheira Jacyra Grampola, por razões da condição do sexo feminino e em contexto de violência doméstica.
Segundo o órgão ministerial, ele ainda descumpriu medidas protetivas ao abordar a vítima antes de efetuar os disparos contra ela. Além disso, José não possuía permissão para posse de arma de fogo, que inclusive era de uso restrito, o que também resultou em perigo comum, uma vez que diversas pessoas estavam no local no momento dos tiros e poderiam ter sido feridas ou mortas.
O MP ainda solicitou que seja fixado um valor de indenização em reparação por danos à mãe da vítima a ser pago pelo réu no valor de R$ 500 mil. ANTES A justiça começou a ouvir testemunhasd e familia de Jacyra Grampola Gonçalves da Silva, de 24 anos, que foi morta pelo ex- companheiro José Alves dos Santos, de 31 anos, em um pesqueiro de Sorriso, no dia 17 de agosto. A denúncia foi ajuizada pela 2ª Promotoria de Justiça Criminal.
Conforme o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), ele foi denunciado por feminicídio majorado. Segundo o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, José não aceitava o fim do relacionamento e teria agido com dissimulação, ao enganar a vítima com a promessa de um “presente”, e com recurso que dificultou a defesa, já que Jacyra estava sentada e desprevenida. A delegada da Polícia Civil de Mato Grosso, Layssa Crisóstomo, indiciou José Alves dos Santos, de 31 anos, por ter matado a estudante de administração Jacyra Grampola da Silva, de 24 anos. A jovem, que era ex-companheira do agressor, foi morta com vários tiros num pesqueiro na cidade de Sorriso. José foi indiciado na última quarta-feira (27/08) e vai responder pelo crime de feminicídio com causa de aumento de pena pelo descumprimento de medida protetiva de urgência e mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. Além disso, ele também foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo. De acordo com a autoridade policial, José e Jacyra se separaram no mês de maio e o homem não aceitava o término do relacionamento. Ao ser preso, nas proximidades da cidade de Paranatinga, ele explicou onde escondeu o armamento usado no crime. José alegou que comprou a arma de uma pessoa que mora em Cuiabá há cerca de três meses.
Disse ainda que estava sendo ameaçado e que pretendia se entregar após 24 horas do crime. Ao ser preso, ele agiu com deboche e sarcasmo. “A verdade é que ele estava o tempo todo muito sarcástico. Ele debochava, ria e diz que ele já estava com a intenção de se entregar, mas que estava esperando o momento certo para que não fosse preso. Não demonstrou nenhum arrependimento. A verdade é que ele não aceitou o término”, disse a delegada. Jacyra foi morta no dia 17 deste mês em um pesqueiro na cidade de Sorriso. Na ocasião, o atirador estava ingerindo bebida alcoólica com um colega em uma mesa próxima à vítima. Em certo momento, o homem afirmou que teria um presente para entregar para ela e perguntou se a mulher gostaria de ir até o veículo com ele. O “presente” seria uma encomenda da Shopee.
Diante da negativa da mulher, o suspeito buscou o objeto e efetuou disparos contra Jacyra que atingiram a cabeça. “Cheia de sonhos para realizar”. É assim que Jaciara Gonçalves da Silva descreve a filha. Mas sonhos foram interrompidos após mais um caso de feminicídio e o corpo da estudante de administração Jacyra Grampola Gonçalves da Silva foi sepultado na sexta-feira (22) em Belém, cidade natal dela. “Ela tinha vários sonhos que queria realizar, era uma menina cheia de sonhos. Não morreu para mim. Vai ficar para sempre dentro de mim, no meu coração”, afirmou a mãe.