Jorge Antônio Leal Neto, homem apontado como faccionário do Comando Vermelho (CV) e peça-chave na logística de um roubo seguido de morte, teve o pedido de liberdade negado pelo desembargador Paulo Sergio Carreira de Souza, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na última segunda-feira (23).
Jorge foi preso em flagrante no dia 21 de setembro de 2025. Segundo as investigações, ele teria buscado uma motocicleta Yamaha Fazer 160 na cidade de Itanhangá, por ordem da facção, e entregue o veículo aos executores de um latrocínio consumado e outro tentado em Sorriso. De acordo com os autos, o próprio investigado admitiu à polícia que integra o Comando Vermelho e que cumpriu ordens da organização.
“Que afirma que é lojista da Facção Criminosa Comando Vermelho; que no dia 18/09/2025 recebeu uma ordem da direção da Facção ‘CV’, que o determinou a ir à Cidade de Itanhangá-MT buscar a Moto Fazer 160 de cor preta; trouxe a moto para Sorriso-MT e ficou guardada em seu quintal esperando a ordem da direção para entregar para algum membro”, disse em depoimento.
A função de “lojinha”, segundo a investigação, seria a de guardar e distribuir ilícitos para integrantes da facção. Um dos corréus ainda afirmou que, embora Jorge não tenha participado diretamente da chamada de vídeo em que teriam sido repassadas instruções para o crime, ele “ouviu toda a conversa”, pois estava próximo no momento.
No habeas corpus, a defesa alegou que não há indícios suficientes de autoria no crime de organização criminosa, que a prisão preventiva não teria fundamentação concreta, que faltaria contemporaneidade e que houve violação aos princípios da homogeneidade e proporcionalidade. Pediu a revogação da prisão ou a aplicação de medidas cautelares alternativas.
Ao negar a soltura, o desembargador destacou que, numa análise inicial, há indícios de participação e que a prisão foi fundamentada na gravidade concreta dos fatos e no risco à ordem pública. “Presentes os requisitos da prisão preventiva – CPP, art. 312 – em relação ao suposto autor do fato, especificamente pela gravidade concreta dos ilícitos”, destacou. O magistrado também ressaltou que condições pessoais favoráveis não impedem a prisão quando estão presentes os requisitos legais, e que não cabe aprofundar análise de provas na via estreita do habeas corpus. “Portanto, indefiro a liminar vindicada, sem prejuízo da reavaliação da matéria no mérito”, decidiu.
O CASO
A investigação sobre a morte de Maiele da Conceição Veras, 27 anos, vítima de latrocínio ocorrido em setembro deste ano em Sorriso (MT) ganhou novo capítulo com a prisão de um dos suspeitos, apontado como autor dos disparos. Isaias de Oliveria Baiano foi preso nesta quarta (03/12) em Goiânia (GO), onde estava foragido. Com isso, a Polícia Civil acredita ter reunido os elementos necessários para concluir o inquérito e encaminhar o caso à Justiça.
Segundo o delegado Bruno França, “este crime foi um crime muito grave” e a captura do suspeito representa “a finalização de um trabalho” da equipe de investigação. Ele acrescentou que a prisão só foi possível graças à cooperação entre diferentes delegacias:
“Solicitamos apoio aos colegas da Delegacia de Captura de Goiânia, que fizeram um trabalho brilhante e, imediatamente, capturaram o último suspeito identificado.”
O crime aconteceu na noite do dia 20 de setembro de 2025, quando Maiele e seu parceiro passavam de carro pela “Linha Celeste”, perto do “poção”, na zona rural de Sorriso. Segundo os relatos, dois homens em uma motocicleta abordaram o casal. No momento da tentativa de fuga, disparos foram feitos contra o veículo. Maiele foi atingida e, embora socorrida e levada à UPA local, não resistiu aos ferimentos.
Nos dias seguintes, dois outros suspeitos foram presos: um logo após o crime, pela Polícia Militar, e outro dias depois, pela Polícia Civil. A prisão do terceiro agora detido em Goiás era considerada essencial para fechar o ciclo da investigação. Conforme o delegado, não há dúvidas sobre a participação dele, com base nos indícios e reconhecimentos colhidos. A expectativa é que, com a conclusão do inquérito, a família da vítima tenha pelo menos uma resposta judicial para o ocorrido.
Mesmo após a tentativa de roubo com resultado morte, em que Maiele da Conceição Veras, 27, morreu após ser baleada na noite do sábado (20/09), quando ela e o marido estavam em seu veículo e avistaram dois homens parados e, logo que o automóvel das vítimas reduziu a velocidade, os suspeitos se aproximaram para anunciar o assalto.
Armados, um dos suspeitos efetuou disparos contra o automóvel; Maiele Conceição Veras acabou sendo atingida. Ela foi pelo marido e encaminhada à UPA, mas não resistiu e foi a óbito.
Populares continuaram gravando vídeos e enviando para o JK, mostrando a escuridão que a continuidade da Rua Maranhão, no trecho do Poção do Rio Lira à noite, e que muitas pessoas são vítimas de roubo durante a noite.
Populares gravaram vídeos relatando o perigo que é e pedindo as autoridades para que postes com luzes fossem colocados no local para inibirem a ação de bandidos que ficam escondidos no mato e atacam pessoas, motociclistas e motoristas que passam pelo local.
Logo após o crime, os policiais fizeram diversas diligências e buscas por imagens que ajudassem nas buscas pelos suspeitos do crime e, diante das buscas, foi possível identificar o conduzido, que foi um dos condutores da motocicleta de cor preta dois dias antes de acontecerem estes crimes, em 18/09/2025.
Os policiais fizeram busca e abordaram um motociclista e indagaram-no sobre a motocicleta de cor preta que estava em seu poder. Ele disse aos policiais que havia trazido a motocicleta da cidade de Itanhangá a mando de uma pessoa, chefe da organização criminosa Comando Vermelho, e que este chefe estava preso.
O suspeito permaneceu com a moto em sua residência por dois dias guardada, e neste sábado (20/09) recebeu ordens de que era para entregar a moto Fazer, de cor preta, para dois indivíduos para que ambos cometessem os crimes acima citados. A entrega da moto foi feita 10 minutos antes da morte de Maiele. Então o suspeito ainda informou onde um dos suspeitos dos crimes poderia estar escondido.
Os policiais foram até o bairro Nova Aliança, mas o suspeito não foi localizado. Mas, ainda, por meio de imagens de câmeras de monitoramento, foi possível identificar que a motocicleta do suspeito, conduzida de cor vermelha, andou pela cidade dias antes de acontecer o crime.
Ainda segundo o suspeito, que foi preso, ele cumpriu as ordens da organização criminosa Comando Vermelho, pelo fato de o suspeito ser um dos lojistas da organização criminosa (lojista, dono de boca de fumo, vendedor de drogas).
Dantes dos fatos, ele foi levado à delegacia.
Fábio Pereira dos Santos, 24, conhecido como ‘Galego’, é o segundo homem preso por envolvimento direto no roubo seguido de morte que vitimou em Sorriso. A prisão foi feita pela polícia civil na noite desta segunda-feira (22/09).
O suspeito foi localizado em uma residência. Ao ser abordado, o rapaz confessou a participação no roubo seguido de morte e confessou que é membro do Comando Vermelho.
Declarou ainda que recebeu ordens para cometer o roubo de um veículo e que, no dia do crime, era o piloto da motocicleta. As investigações continuam com o objetivo de localizar e prender todos os envolvidos no latrocínio.