A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva de Rairo Andrey Borges, de 21 anos, acusado de matar o próprio filho, de 2 anos e 5 meses, em Sorriso. Ao negar o pedido de liberdade, o magistrado considerou a extrema gravidade do crime, a existência de indícios claros de premeditação, o risco à ordem pública e o histórico de ameaças feitas à ex-companheira antes do assassinato da criança.
O crime ocorreu na noite de sábado (3), no bairro Vila Bela, e inicialmente foi tratado como uma ocorrência de tentativa de suicídio. A Polícia Militar foi acionada para atender a situação, mas, ao chegar ao local, os policiais foram informados de que o suspeito e a criança já haviam sido socorridos pelo Corpo de Bombeiros e levados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Segundo relatos colhidos pela polícia, vizinhos ouviram som alto vindo da residência e um barulho semelhante ao de telhas quebrando. Diante da suspeita de algo grave, populares arrombaram a porta da casa. No interior do imóvel, encontraram Rairo pendurado por uma corda e o filho desacordado sobre a cama.
Durante a averiguação no local, os policiais localizaram uma carta escrita pelo acusado e endereçada à ex-companheira, mãe da criança. No documento, ele deixava clara a intenção de fazer mal ao filho e também a si mesmo, afirmando que não aceitava o fim do relacionamento nem a possibilidade de ela estar com outra pessoa.

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Mensagens anteciparam o crime
Além da carta, a investigação apurou que Rairo enviou diversas mensagens à ex-companheira após descobrir que ela havia iniciado um novo relacionamento. A mulher relatou à polícia que estava separada havia cerca de duas semanas e que, ao longo do sábado, passou a receber textos cada vez mais agressivos. Por volta das 19h48, ele teria enviado uma mensagem detalhando exatamente o que pretendia fazer com o filho e consigo.
A criança foi socorrida e encaminhada ao Hospital Regional de Sorriso. Apesar de mais de 30 minutos de tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica, o menino não resistiu. A mãe compareceu ao hospital em estado de choque e confirmou à polícia o histórico recente de ameaças.
Flagrante e prisão preventiva
Após os fatos, Rairo foi preso em flagrante. Durante o primeiro interrogatório, ele negou o crime. No entanto, ao ser confrontado com o conteúdo da carta encontrada na residência e com as mensagens enviadas à ex-companheira, passou a apresentar respostas desconexas, o que reforçou os indícios de autoria.
Diante do conjunto de provas, a prisão foi convertida em preventiva. Ao analisar o pedido de liberdade, a Justiça destacou que o crime foi cometido por motivo considerado fútil, com violência extrema e contra uma criança indefesa, o que demonstra alto grau de periculosidade. O magistrado também ressaltou que a manutenção da prisão é necessária para garantir a ordem pública e o regular andamento do processo.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que continua reunindo provas e depoimentos para a conclusão do inquérito.