O juiz Fabio Alves Cardoso, do Plantão da Comarca de Sorriso (MT), manteve a prisão do empresário e corretor de imóveis, Bruno Pianesso, durante audiência de custódia nessa segunda-feira (30/03). Ele é investigado por atirar na ex-companheira na sexta-feira (27/03), quando ela voltou à casa onde morava para buscar os pertences, após separação.
Bruno se apresentou na delegacia, na manhã de domingo (29/03), depois de passar 48 horas foragido.
Ao Primeira Página, um dos defensores de Bruno, o advogado Carlos Alberto Koch, comentou que pretende apresentar um pedido de liberdade. A defesa ainda nega que Bruno estivesse foragido e alega que informou à delegada Layssa Crisóstomo que ele se apresentaria no domingo.
“A prisão é uma exceção, a regra é responder em liberdade até que se esgotem os recursos. Não é impunidade, é uma situação grave. Somos solidários à vítima, mas a legislação garante o direito à defesa a ele, como para qualquer cidadão. O Estado garante o direito ao contraditório. Ele quis se apresentar, não está fugindo das responsabilidades”, argumenta.
De acordo com Koch, Bruno optou por ficar em silêncio no depoimento às autoridades policiais, mas chorou e comentou que estava arrependido do que fez.
“Ele não nega que efetuou os disparos, mas não entendemos o que motivou, o que ocorreu, ele optou pelo silêncio. Ele se arrependeu, sabe que é uma situação grave, chorou, mas temos que apurar a motivação. Nós, da defesa, não apoiamos qualquer ato de violência contra mulher, ou quem for, mas infelizmente ocorreu e a Justiça vai julgar”, acrescentou.
O defensor cita que Bruno foi encaminhado para o Centro de Ressocialização de Sorriso e que a polícia tem, em tese, até 10 dias para concluir o inquérito policial e depois encaminhá-lo para o Fórum e ao Ministério Público para denúncia.
A noite do crime
O corretor de imóveis Bruno Pianesso se entregou na delegacia de Sorriso (MT), na manhã de domingo (29). Ele era considerado foragido desde a noite de sexta-feira (27), quando teve uma discussão com a ex-mulher por não aceitar o fim do relacionamento.
De acordo com o boletim de ocorrências, ele a ameaçou e disse que, caso não ficasse com ele, ela não ficaria com mais ninguém. Horas depois, ele surpreendeu a vítima ao chegar em uma caminhonete e atirar contra ela.
Os tiros atingiram o pneu, o para-brisa e a lateral do carro e no seio da vítima. Mesmo ferida, ela conseguiu fugir e dirigir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu atendimento médico e ficou internada.
Após o crime, ele fugiu levando o filho do casal de apenas quatro anos, mas segundo a Polícia Militar, o suspeito deixou o menor na casa da avó pouco tempo depois. A criança foi localizada e recolhida pela Polícia Militar.
Ele abandonou a caminhonete utilizada na fuga em uma área de mata às margens da MT-242 e contou com a ajuda de um sócio para continuar a fuga em outro veículo.
Bruno tem registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e foi expulso do Clube de Tiro .45 que participava por descumprir normas internas, princípios éticos e legais que regem a prática do tiro esportivo.
A vítima, a fisioterapeuta Aline Petri, postou vídeo em rede social emocionada e agradeceu mensagens de carinho e orações que recebeu de amigos e seguidores. Ela contou ainda que os filhos do casal, de 3 e 8 anos, estavam com ela no momento do ataque, presenciaram a cena e ficaram em estado de choque.