Uma jovem que buscava uma oportunidade no mercado de trabalho relatou uma experiência que, segundo ela, transformou a expectativa de conseguir um emprego em um período de constrangimento, medo e frustração.
A trabalhadora afirma que, enquanto estava em período de experiência em uma empresa de Sorriso, teria sido alvo de comportamentos de cunho sexual e abordagens indesejadas por parte de um colega de trabalho. Após levar a situação ao conhecimento da empresa, ela diz que esperava ser transferida de setor, mas acabou tendo o contrato de experiência encerrado.
“Eu era uma jovem que estava em busca de uma oportunidade de emprego e acabou acontecendo isso”, relatou.
Agora, além de buscar providências sobre o que afirma ter vivido, ela conta que voltou a procurar uma nova oportunidade de trabalho.
Segundo os relatos e materiais apresentados pela jovem, o funcionário teria tocado em seus cabelos sem autorização, encontrado motivos para segurar sua mão e feito comentários frequentes sobre sua aparência.
Ela relata ainda que o homem teria contado que sonhava com ela, perguntado se ela não gostaria de trocar o namorado para ficar com ele e mantido comportamentos que a deixavam desconfortável durante o expediente.
A denunciante também afirma que o colega chegava ao ambiente de trabalho após consumir bebida alcoólica e fazia comentários sobre relações que teria mantido fora do casamento.
Em uma manifestação enviada a antigos colegas de trabalho, a jovem classificou o que teria ocorrido como assédio e importunação sexual e afirmou que decidiu denunciar para evitar que outras mulheres eventualmente passassem por situação semelhante.
Entre os materiais apresentados pela jovem está um áudio cuja transcrição contém uma conversa em que é mencionada a possibilidade de saída e ida a um motel. No trecho, é possível ouvir a referência: “A gente vai pra um motel, alguma coisa rápida”.
A jovem afirma que, em determinado momento, teria concordado verbalmente com algumas colocações apenas para ganhar tempo até chegar em casa e pedir desligamento. Segundo ela, posteriormente o homem teria descoberto sua intenção e solicitado que ela apagasse materiais que possuía.
Prints de conversas apresentados pela denunciante também mostram uma pessoa aconselhando a jovem a não deixar o caso “passar batido”.
Em outra mensagem, essa pessoa afirma que o homem já teria recebido uma advertência por supostamente filmar colegas sem que elas soubessem e acrescenta que a empresa teria conhecimento do episódio.
Outra conversa apresentada pela jovem registra a afirmação de que, após ela entrar em determinado ambiente, o homem teria contado a terceiros que ela o teria levado ao banheiro e beijado. A jovem nega essa versão e sustenta que teriam sido espalhadas informações falsas a respeito dela.
A jovem conta que, antes dos acontecimentos, chegou a perguntar à empresa se permaneceria no emprego depois do período de experiência e teria recebido uma resposta positiva.
Por isso, afirma que, ao denunciar o comportamento do colega, imaginava que a empresa poderia transferi-la para outro setor.
“Achei que contando para a empresa e fazendo minha denúncia eles iam me trocar de setor. Quando eu estava no período de experiência perguntei se ia continuar e falaram que sim”, relatou.
Entretanto, segundo ela, após a denúncia e os conflitos envolvendo o colega, a empresa decidiu encerrar seu período de experiência.
A jovem contesta que o desligamento tenha ocorrido por falta de capacidade profissional. Ela afirma que ainda estava aprendendo a função e acredita que informações repassadas pelo funcionário contribuíram para sua saída.
Em uma mensagem encaminhada a colegas após deixar o emprego, a jovem disse não querer que surgisse a versão de que teria sido desligada porque era uma profissional ruim.
Ela afirmou que não teve intenção de prejudicar o funcionário ao denunciar o caso, mas queria evitar que o comportamento relatado por ela se repetisse com outras mulheres.
Agora desempregada, a jovem informou que está novamente em busca de uma oportunidade de trabalho.
A identidade da jovem foi preservada. As acusações apresentadas nesta reportagem correspondem ao relato da denunciante e aos materiais encaminhados por ela e não representam conclusão sobre eventual responsabilidade criminal ou trabalhista. O espaço permanece aberto para manifestação do funcionário citado e da empresa envolvida.