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Terça-Feira, 11 de Agosto de 2026 14:30

Sorriso: Grupo Soyagro pede recuperação judicial e atribui crise a juros altos, queda das commodities e R$ 115 milhões em inadimplência no agro

Rede de revendas de insumos agrícolas, fundada em Sorriso, afirma ter mais de R$ 40 milhões a receber de produtores que também estão em recuperação judicial e diz gastar mais de R$ 20 milhões por ano com juros

A Justiça de Mato Grosso deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Soyagro, rede de revendas de insumos agrícolas com atuação em Mato Grosso e no Pará. O processo tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.

 

O pedido envolve as empresas Bocchi e Fabian Ltda. – EPP, BF Comércio de Insumos Agrícolas Ltda., Comércio de Insumos Agrícolas Soyagro Ltda. – EPP, BFF Insumos Agrícolas Ltda., FB Comércio Agrícola Ltda., BFDT Insumos Agrícola Ltda. e BFC Insumos Agrícolas Ltda., além dos empresários rurais Flávio José Bocchi, Artêmio Junior Fabian e Ana Paula Valdameri Fabian, integrantes do denominado Grupo Soyagro.

Segundo informações apresentadas no processo, o grupo atribui a crise econômico-financeira a uma combinação de fatores que atingiram o agronegócio, entre eles o aumento dos custos de produção, juros elevados, variações cambiais, queda nos preços das commodities, quebras de safra, aumento da inadimplência de produtores rurais e redução da oferta de crédito bancário.

Um dos principais pontos apresentados pelo Grupo Soyagro é o volume de recursos que teria a receber de clientes inadimplentes. Conforme os dados informados pela empresa, são aproximadamente R$ 115 milhões em recebíveis, valor superior ao endividamento bancário declarado, que ultrapassa R$ 60 milhões.

De acordo com o grupo, esse descasamento entre os valores a receber e as obrigações financeiras comprometeu o fluxo de caixa e obrigou a empresa a recorrer a linhas de crédito mais caras para manter as operações, adquirir estoques, pagar fornecedores e continuar atendendo os produtores rurais.

A Soyagro afirma ainda que, nos últimos anos, passou a desembolsar mais de R$ 20 milhões por ano somente com juros, em razão da necessidade de financiar o caixa afetado pela inadimplência.

R$ 40 milhões estão envolvidos em recuperações judiciais de clientes

Outro fator apontado pela empresa é a judicialização dos recebíveis. Segundo o Grupo Soyagro, atualmente existem créditos a receber em 14 processos de recuperação judicial movidos por clientes produtores rurais, somando aproximadamente R$ 40 milhões.

Na prática, segundo a argumentação apresentada pelo grupo, parte significativa do dinheiro decorrente das vendas ficou sujeita aos processos de recuperação dos próprios clientes, enquanto as obrigações da Soyagro com bancos, fornecedores e demais credores continuaram vencendo.

O grupo também relaciona a crise ao aumento expressivo do custo do crédito nos últimos anos. Como a revenda de insumos agrícolas demanda alto volume de capital para formação de estoques e financiamento das operações, o crescimento das despesas financeiras teria pressionado ainda mais o caixa da empresa.

Estoques chegaram a R$ 71 milhões

Outro ponto levantado foi a desvalorização de produtos mantidos em estoque. Segundo a empresa, para garantir o abastecimento dos produtores durante as janelas de plantio e cumprir compromissos comerciais, foi necessário manter volumes elevados de fertilizantes, defensivos, sementes e outros produtos.

Entretanto, parte desses produtos teria perdido valor após a correção dos preços do mercado no período pós-pandemia.

Conforme os números informados pelo grupo, as sobras de estoque chegaram a R$ 71 milhões em 2022, passaram para R$ 63 milhões em 2023 e caíram para R$ 33 milhões em 2024. Atualmente, a empresa informa possuir cerca de R$ 10 milhões em produtos estocados.

Na decisão judicial, também aparecem como causas da crise a manutenção de elevados estoques e a posterior desvalorização de fertilizantes, defensivos, sementes e grãos recebidos em operações de barter, situação que, segundo os requerentes, provocou perdas e comprometeu o capital de giro e o fluxo de caixa.

Antes da análise do processamento da recuperação, foi realizada uma constatação prévia. A empresa responsável pela perícia examinou documentos contábeis, fiscais e patrimoniais e opinou favoravelmente ao processamento do pedido.

A Justiça também analisou a regularidade das atividades dos produtores rurais que integram o grupo. Embora Flávio José Bocchi, Artêmio Junior Fabian e Ana Paula Valdameri Fabian tenham sido inscritos na Junta Comercial de Mato Grosso em outubro de 2025, foram apresentados documentos para demonstrar que eles já exerciam atividade rural anteriormente. Ana Paula possui inscrição estadual ativa desde 2009, Artêmio desde 2012 e Flávio desde 2014, segundo a documentação examinada no processo.

Para o Grupo Soyagro, a recuperação judicial representa uma medida destinada a organizar a negociação com os credores e preservar a continuidade das atividades, os empregos, o relacionamento com fornecedores e o atendimento aos produtores rurais.

O processo de reestruturação é conduzido pelo escritório Mestre Medeiros Advogados.

Fundado em 2014, em Sorriso, o Grupo Soyagro começou suas atividades com quatro colaboradores e posteriormente expandiu sua operação para uma rede de seis lojas, com presença em municípios do norte de Mato Grosso e no Pará. O grupo também informa desenvolver atividade rural desde 2019, em área arrendada no município de Alta Floresta.

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