A Justiça decidiu levar a júri popular Antônio Ribeiro Laurentino Júnior, conhecido como “Fiel”; Breno Freitas da Silva; e Jhuli Noali Zanoni, conhecida como “Juju”, acusados de envolvimento no assassinato de Giovanni Stephano Viotto de Oliveira, de 16 anos, em Sorriso.
O juiz Rafael Deprá Panichella, da 1ª Vara Criminal de Sorriso, determinou que os três sejam julgados e manteve suas prisões preventivas. Ainda não há data definida para o júri.
Os réus respondem por homicídio qualificado, organização criminosa, corrupção de menor e ocultação de cadáver. A decisão manteve as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. As defesas negam participação no crime. A decisão de pronúncia encaminha o caso para julgamento pelos jurados e não representa condenação.
Desaparecimento mobilizou a família
Giovanni desapareceu em abril de 2024, após sair de casa com a motocicleta da mãe. Sem notícias do adolescente, os familiares começaram uma busca por informações sobre seu paradeiro.
Quatro dias depois, a motocicleta foi encontrada em uma área de mata nos fundos do bairro Jardim Amazônia. A localização do veículo, porém, não encerrou a angústia da família, que continuou sem respostas sobre o jovem.
Durante a investigação, a Polícia Civil identificou possíveis participantes e apreendeu um adolescente que teria envolvimento na morte. As informações fornecidas por ele ajudaram a direcionar as buscas pelo corpo.
Avô encontrou o neto em córrego
As buscas na região do Jardim Carolina começaram em 12 de maio de 2024, um domingo de Dia das Mães. Policiais civis, militares e bombeiros participaram da operação.
Na manhã seguinte, em 13 de maio, o próprio avô de Giovanni encontrou o corpo do neto em um córrego. Ele acompanhava os trabalhos e relatou que, ao descer pelo curso d’água, avistou o corpo preso em galhos.
A vítima estava sem a cabeça, o que levou à continuidade das buscas na região.
Outro detalhe revelado durante a investigação foi a proximidade entre Giovanni e o adolescente apreendido. Segundo relatos divulgados na época, os dois eram amigos e tinham tatuagens com as iniciais um do outro. A descoberta provocou revolta entre os familiares.
Na ocasião, o delegado Bruno França apontou uma dívida de entorpecentes como uma das motivações investigadas para o assassinato.
Mãe cobrou continuidade das buscas
A dificuldade para localizar a cabeça de Giovanni prolongou o sofrimento dos familiares. Em manifestação divulgada em 16 de maio de 2024, a mãe do adolescente cobrou a continuidade das buscas.
Naquele momento, havia a informação de que seria aguardado o retorno da cadela Maya, do Corpo de Bombeiros de Sorriso, que trabalhava nos resgates das enchentes no Rio Grande do Sul.
A mãe afirmou que continuaria procurando por conta própria e fez um desabafo: “tive um filho inteiro, não meio filho”.
Além das buscas, a família aguardava os procedimentos de identificação necessários para a liberação do corpo.
Acusados passaram por fase de instrução
Em setembro de 2025, o processo chegou à fase de audiência de instrução, com previsão de interrogatórios de Antônio, Breno e Jhuli, além de depoimentos de testemunhas de acusação e defesa.
Naquele mês, a Justiça também havia negado um pedido de revogação da prisão de Breno. A denúncia do Ministério Público havia sido recebida em julho de 2024.
Mais de dois anos após o desaparecimento de Giovanni, os três réus aguardam o julgamento que deverá decidir suas responsabilidades no crime.