A 4ª Vara Cível de Sinop autorizou a realização da Assembleia Geral de Credores do Grupo Safras, que tramita em recuperação judicial. O encontro será realizado de forma virtual e colocará em votação questões relacionadas ao comando das empresas, à permanência do interventor judicial e aos atos praticados durante a intervenção.
A primeira convocação está marcada para o dia 4 de setembro de 2026, às 9h, no horário de Mato Grosso. Caso seja necessária uma segunda convocação, ela ocorrerá no dia 11 de setembro, no mesmo horário. A assembleia será realizada pela plataforma digital Assemblex.
O processo, de número 1007134-62.2025.8.11.0015, possui valor da causa de R$ 1.780.473.305,69. Esse montante é o valor atribuído à ação e não deve ser confundido, necessariamente, com o total definitivo das dívidas que serão reconhecidas no processo.
Entre os recuperandos estão Safras Indústria e Comércio de Biocombustíveis, Copagri – Comercial Paranaense Agrícola, Safras Armazéns Gerais, Safras Agroindústria, Armazéns e Cerealista Guarita, além de empresários e produtores rurais ligados ao grupo.
Conforme o edital publicado no Diário Oficial do Estado, os credores deverão decidir se será mantido o afastamento cautelar dos administradores, sócios e produtores rurais das atividades empresariais.
Caso o afastamento seja confirmado, a assembleia também votará pela permanência ou substituição do atual interventor judicial, o advogado Emmanoel Alexandre de Oliveira. Se ele não for mantido, caberá aos credores indicar um gestor judicial para assumir a administração das empresas em recuperação.
Também serão submetidos à votação os atos praticados pelo interventor durante sua gestão. Os credores poderão aprovar, ratificar, revisar ou até mesmo desconstituir determinadas medidas adotadas no período de intervenção.
Outra questão prevista na pauta é a homologação de três contratos: o arrendamento da Unidade Industrial de Produção de Etanol de Milho, em Sorriso; um aditivo ao contrato de locação de imóvel comercial também localizado no município; e o arrendamento de instalações de armazenagem em Nova Maringá.
A assembleia decidirá ainda se será criado um Comitê de Credores. Caso a proposta seja aprovada, deverão ser escolhidos os integrantes titulares e suplentes do colegiado, que terá a função de acompanhar e fiscalizar o andamento da recuperação judicial.
Apesar da importância da assembleia para o futuro do Grupo Safras, o edital não prevê, nesta etapa, a votação do plano de recuperação judicial nem uma decisão direta sobre eventual decretação de falência.
Segundo a decisão da juíza Giovana Pasqual de Mello, as matérias colocadas em votação estão relacionadas principalmente à governança, à administração e à fiscalização das atividades das empresas e produtores rurais incluídos no processo.
A assembleia ocorrerá em uma única sessão virtual, mas os quóruns, as listas de presença, os votos e os resultados deverão ser apurados individualmente para cada recuperando. A Justiça destacou que esse procedimento não representa a união dos patrimônios e das dívidas das empresas e pessoas envolvidas.
Os interessados deverão acessar a plataforma Assemblex com pelo menos uma hora de antecedência para assinar a lista de presença. O credenciamento será encerrado no momento da instalação da assembleia.
Credores que forem representados por procuradores ou representantes legais deverão encaminhar os documentos que comprovem os poderes de representação à administração judicial com antecedência mínima de 24 horas úteis.
O processo é administrado judicialmente pela AJ1 Administração Judicial. As informações sobre cadastro, acesso à plataforma e participação estão disponíveis nos autos da recuperação judicial.
As decisões que motivaram o afastamento dos gestores mencionam alegações consideradas graves sobre atos administrativos e movimentações patrimoniais. Os fatos, entretanto, continuam sendo analisados judicialmente e não representam condenação definitiva dos empresários ou das empresas envolvidas.