A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou um depoimento nas redes sociais no qual afirmou ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato à Presidência nas eleições de outubro.
Em dois vídeos, Michelle relatou uma briga com Flávio e afirmou que os dois não se falam desde o fim de 2025. A discussão envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, onde o partido tentou se aproximar do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), apoio criticado por Michelle.
“Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou a ex-primeira-dama.
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Michelle disse ainda que Flávio teria pedido para que ela ficasse fora das decisões partidárias.
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, continuou.
Ao longo do depoimento, Michelle se referiu a Flávio pelo nome, como “meu enteado” e “pré-candidato”, sem usar o sobrenome Bolsonaro.
Após a manifestação de Michelle, Flávio Bolsonaro fez uma live nas redes sociais antes do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo de 2026. Nas imagens, ele apareceu ao lado da esposa e usou uma máscara do atacante Neymar.
“Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol”, disse Flávio.
O senador também relatou ter visitado Jair Bolsonaro na prisão domiciliar nesta quarta-feira (24). Segundo ele, o ex-presidente mandou um abraço a todos.
“Ele está forte, é uma pessoa que tem a cabeça muito no lugar, está antenado no que está acontecendo, sabe o que é melhor para o Brasil, me deu essa missão”, afirmou.
Segundo Michelle, o episódio teve início após um comício no Ceará, no fim do ano passado. Na ocasião, ela criticou a articulação do PL para uma aliança com Ciro Gomes, que já havia feito ataques públicos a Jair Bolsonaro quando ele era presidente.
Durante o evento em Fortaleza, Michelle apontou para o deputado André Fernandes (PL-CE), um dos articuladores da aproximação com Ciro, e disse que a aliança havia sido precipitada.
“É sobre isso. É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, afirmou Michelle na ocasião.
Ciro Gomes é pré-candidato ao governo do Ceará. Pesquisa Quaest divulgada em abril sobre as eleições locais apontou Ciro na liderança das intenções de voto, com 41%, seguido por Elmano de Freitas (PT), com 32%. Eduardo Girão (Novo) aparece em terceiro, com 4%. A aliança do PL previa o apoio de Ciro à candidatura presidencial de Flávio, com palanque no estado.
Michelle afirmou ter visto publicações de Flávio contra ela nas redes sociais.
“Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides”, declarou.
Segundo a ex-primeira-dama, Ciro Gomes foi o principal responsável “pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido”. Ela também citou declarações anteriores do ex-governador contra Bolsonaro e seus filhos.
No vídeo, Michelle afirmou que, depois de Flávio, outros filhos de Jair Bolsonaro fizeram postagens semelhantes em resposta ao seu posicionamento no Ceará. Para ela, a reação pareceu algo “premeditado”.
“Para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Tudo bem, eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso”, disse Michelle.
A ex-primeira-dama afirmou que o vídeo foi feito para “desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa”.
“Eu sei quem as planta. Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, declarou.
Parte dos aliados de Bolsonaro cobra que Michelle contribua para a pré-campanha de Flávio e alega que ela não tem se empenhado nessa missão. No vídeo, a ex-primeira-dama negou que tenha exigido um pedido de desculpas para anunciar apoio à candidatura.
“Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, afirmou.
Em outro momento dos vídeos, sem citar nomes, Michelle disse que sofre ataques diários de um grupo que está no exterior. Ela afirmou que “alguns deles” aparecem em fotos com Flávio e que a filha adolescente, Laura, acompanha a situação.
“Fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo”, disse.
“Eles não se importam. Para eles tudo é política, e uma política que não existe em função do ser humano. Esse tipo de política não serve para nada além de egoísmo”, completou.
Michelle também relatou que ela e Flávio não se falam, embora o senador vá com frequência à casa da família.
“Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado”, declarou.
A ex-primeira-dama voltou a criticar a aliança com Ciro Gomes no Ceará e defendeu que uma eventual aproximação ocorra apenas no segundo turno. Segundo ela, “Ciro Gomes já provou inúmeras vezes não ser confiável”.
“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem”, afirmou.
“Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno. É preciso dar chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores”, concluiu Michelle.