Mato Grosso registra aumento nas notificações de meningite, com casos confirmados e óbitos recentes em cidades como Cuiabá, Sinop e Sorriso. Além da baixa adesão à vacinação, um fator silencioso tem contribuído para a gravidade da doença: o hábito de medicar crianças logo nos primeiros sinais de febre.
Segundo a Dra. Lanna Maluf, médica e docente do curso de pós-graduação em pediatria, a automedicação pode mascarar sintomas importantes para a identificação precoce da meningite.
“Ao perceber a febre, muitas famílias administram medicamentos por conta própria. Isso é perigoso, porque esconde sinais que o médico precisa avaliar para diferenciar uma virose comum de uma infecção grave”, explica a médica.
Como a meningite pode evoluir para quadros fatais em menos de 24 horas, é fundamental observar sintomas que vão além da febre. “Os pais devem ficar atentos à rigidez na nuca, quando a criança não consegue encostar o queixo no peito. Em bebês, outros sinais de alerta são a recusa para mamar e a moleira alta ou estufada”, acrescenta.
Além da automedicação em casa, outro fator que pode atrasar o diagnóstico ocorre no pronto atendimento. De acordo com a pediatra, a triagem não deve subestimar os sintomas iniciais e precisa estar atenta a sinais como irritabilidade intensa, sensibilidade à luz e apatia.
“O tratamento, seja com antibióticos nos casos bacterianos ou com suporte clínico nos casos virais, deve começar antes mesmo da confirmação laboratorial”, afirma.
Para ela, a rapidez no atendimento é decisiva para evitar sequelas graves ou óbitos, especialmente em regiões onde o acesso a exames mais complexos pode demorar. Apesar da urgência no atendimento, o controle da doença depende principalmente da vacinação. A Dra. Lanna Maluf destaca que, na prática clínica, a ausência do cartão de vacinação físico durante a consulta faz com que a imunização seja considerada inadequada.
“Não importa se o prazo foi perdido: todas as doses atrasadas precisam ser atualizadas. Um esquema vacinal incompleto deixa a criança vulnerável e pode transformá-la em transmissora silenciosa da doença em creches e escolas”, alerta.
CASOS EM SORRISO
A Secretaria Municipal de Saúde de Sorriso (Semsa) confirmou o terceiro caso de meningite registrado no município. Trata-se de um menino de 11 anos, que está internado em leito clínico no Hospital Regional de Sorriso desde o dia 17 de maio.
De acordo com o relatório médico, o caso é de meningite bacteriana causada por estreptococos. A criança vem respondendo bem ao tratamento e, até o momento, não houve necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A Semsa informou ainda que acompanha o caso de perto e que, até agora, não foram registrados sintomas entre familiares ou outras pessoas que convivem com o paciente.
Segundo dados levantados pela equipe técnica, este terceiro caso não possui relação com os registros anteriores confirmados em Sorriso e no município vizinho de Sinop.
Medidas preventivas
A equipe de saúde reforça que a principal forma de prevenção contra a meningite é a vacinação. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina meningocócica C (conjugada), aplicada em duas doses aos 3 e 5 meses de idade.
Também é ofertada a vacina meningocócica ACWY (conjugada), com dose de reforço aos 12 meses para os bebês, substituindo a antiga dose de reforço da meningocócica C. O imunizante também é aplicado em dose única para adolescentes entre 11 e 14 anos.
Outra vacina disponível é a Pneumocócica 10-valente (conjugada), que ajuda na prevenção da meningite e de outras doenças pneumocócicas. Já a vacina BCG atua na prevenção das formas graves de meningite tuberculosa.
Todos os imunizantes oferecidos pelo SUS estão disponíveis nas salas de vacinação do município.
Sorriso, 20 de maio de 2026.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) divulgou nesta terça-feira (19/05) a atualização dos casos de meningite em Mato Grosso. Conforme o balanço epidemiológico, já são 46 casos confirmados e oito mortes pela doença em 2026.
Cuiabá é a cidade com o maior número de casos, com 10 confirmações. Em segundo lugar está Várzea Grande, na região metropolitana da capital, com oito casos. Em seguida aparecem Cáceres e Sinop, ambas com três casos confirmados.
As mortes foram registradas em Sinop, Cuiabá, Juscimeira, Sorriso e Vila Bela da Santíssima Trindade. Três delas ocorreram em Sinop e duas em Cuiabá. Os demais municípios registraram uma morte cada.
O público mais afetado pela doença é formado por bebês com menos de 1 ano e pessoas com idade entre 50 e 64 anos.
Na última atualização, havia 33 casos confirmados e oito mortes.
Confira os dados:
Municípios com casos confirmados:
Barra do Garças – 1 caso
Cáceres – 3 casos
Colíder – 1 caso
Canarana – 1 caso
Cuiabá – 10 casos
Glória d’Oeste – 2 casos
Juara – 1 caso
Juscimeira – 2 casos
Nova Guarita – 1 caso
Rondonópolis – 3 casos
Sinop – 3 casos
São José do Rio Claro – 1 caso
Sorriso – 2 casos
Tangará da Serra – 1 caso
Tapurah – 2 casos
Tesouro – 1 caso
Várzea Grande – 8 casos
Vila Bela da Santíssima Trindade – 2 casos
Residente no exterior – 1 caso
Faixa etária dos casos confirmados:
Menores de 1 ano – 8
1 a 4 anos – 4
5 a 9 anos – 7
10 a 14 anos – 6
15 a 19 anos – 1
20 a 34 anos – 2
35 a 49 anos – 5
50 a 64 anos – 10
65 a 79 anos – 3
Municípios com óbitos confirmados:
Sinop – 3 óbitos
Cuiabá – 2 óbitos
Juscimeira – 1 óbito
Sorriso – 1 óbito
Vila Bela da Santíssima Trindade – 1 óbito
Faixa etária das vítimas:
Menores de 1 ano – 1 óbito
5 a 9 anos – 3 óbitos
10 a 19 anos – 1 óbito
20 a 34 anos – 1 óbito
35 a 49 anos – 1 óbito
50 a 64 anos – 1 óbito