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Quarta-Feira, 21 de Janeiro de 2026 22:06

Médico, que matou dois colegas, dono da Cirmed tem contratos tem com MT e fornece médicos para o Regional de Sorriso

O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, preso em flagrante na última sexta-feira (16) por assassinar dois colegas de profissão em um restaurante em Barueri (SP), possui uma forte presença na estrutura de saúde pública de Mato Grosso. Proprietário da Cirmed Serviços Médicos Ltda, ele mantém contratos ativos com o Governo do Estado, via Secretaria de Estado de Saúde (SES), que superam a cifra de R$ 15 milhões.

A motivação do crime, segundo a Polícia Civil de São Paulo, está diretamente ligada a disputas por contratos e licitações no setor de gestão hospitalar. Carlos Alberto executou a tiros seu sócio, o cardiologista Luís Roberto Pellegrini Gomes, e o médico Vinícius dos Santos Oliveira, que trabalhava para Luís.

Documentos oficiais mostram que, no último dia 7 de janeiro, a Cirmed assinou um contrato de R$ 5,420 milhões com a SES-MT para a prestação de serviços de nefrologia (diálise). Além deste, a empresa detém um contrato de R$ 4,259 milhões com o Hospital Regional de Rondonópolis para a gestão de medicina intensiva (UTI) adulto, com vigência até outubro deste ano.

A capilaridade da empresa de Carlos Alberto se estende por todo o estado, com contratos para fornecimento de médicos em unidades estratégicas como: Hospital Estadual Santa Casa; Hospital Adauto Botelho (Cuiabá), além de Hospitais Regionais de Sorriso, Sinop, Alta Floresta e Colíder.

O delegado Andreas Schiffmann, responsável pelo caso em São Paulo, confirmou que o autor e as vítimas eram concorrentes diretos no mercado de licitações públicas. Depoimentos de familiares indicam que a relação era hostil. “Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças de ambas as partes. Eles se encontraram naquele restaurante e os ânimos se excederam”, explicou o delegado.

O crime foi registrado por câmeras de segurança. Após um cumprimento inicial e uma breve conversa, iniciou-se uma briga física que terminou do lado de fora do estabelecimento, onde Carlos Alberto sacou uma arma e efetuou os disparos.
Outro lado

Em nota, a Cirmed Serviços Médicos tentou desvincular a imagem da empresa do crime, classificando o homicídio como um “fato pessoal e isolado” de seu sócio. A companhia garantiu que as operações, contratos e escalas médicas nas unidades de saúde não sofrerão interrupções.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e o secretário Gilberto Figueiredo ainda não se manifestaram sobre o assunto.

 

REPÓRTER MT

Fonte: Repórter MT

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