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Sexta-Feira, 03 de Julho de 2026 14:17

Laudo diz que agrônomo que matou mulher e tentou matar filha, em Lucas do Rio Verde, tem esquizofrenia e transtorno bipolar

Novo laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) atestou diagnóstico de esquizofrenia e bipolaridade ao engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson. Ele é acusado de matar a esposa Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, no ano passado, e está internado em hospital psiquiátrico em Cuiabá.

O segundo laudo concluiu pela inimputabilidade de Daniel, reiterando o primeiro procedimento feito em 2025. A inimputabilidade é a incapacidade de uma pessoa ser responsabilizada penalmente.

Daniel Bennemann Frasson está internado em um hospital psiquiátrico particular em Cuiabá. Foto: Arquivo pessoalSegundo as informações obtidas pela reportagem, dentro da clínica, Daniel estaria ouvindo vozes e tendo ideações suicidas. O documento foi juntado ao processo, após conclusão do procedimento em 22 de junho.

Agora o documento será analisado pelo magistrado do caso para encaminhamentos judiciais, como por exemplo, manutenção da internação, diante da impossibilidade de retorno ao convívio em sociedade.

Sequência de exames

A sequência de exames foi feita tanto a pedido da defesa, que alega surto psicótico e incapacidade do réu de discernir seus atos, quanto pela acusação, que contestava os resultados e métodos.

Segundo a Politec, a primeira perícia foi realizada, por determinação judicial, em 11 de setembro de 2025. Posteriormente, ele passou por reavaliação em 5 de dezembro do mesmo ano.

O primeiro laudo atestou que Daniel seria considerado inimputável em razão de quadro depressivo. Contudo, a Justiça acolheu manifestação do Ministério Público (MPMT) e determinou nova avaliação.

Já em 7 de janeiro deste ano foi determinada nova perícia, concluída em junho deste ano.

Internação em clínica particular

Atualmente Daniel encontra-se internado em uma clínica particular na Capital diante da falta de vagas no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho. Com isso, as despesas da internação de Daniel são custeadas pelo Estado.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para saber a atual lotação do Hospital Adauto Botelho e se existem vagas disponíveis para novos pacientes. Até a publicação não houve retorno. Espaço segue aberto.

Em abril deste ano a SES informou que o Hospital Adauto Botelho possuía 98 leitos de internação ativos, sendo 66 leitos na Unidade 1 (todos ocupados) e 32 leitos no CIAPS AD (23 ocupados).

“A SES esclarece que cumpre a legislação vigente (portaria nº 471/2021/GBSES) e dispõe de 12 vagas para pessoas com transtorno mental em conflito com a lei, sendo 10 leitos masculinos e 2 leitos femininos, todos atualmente ocupados”, dizia trecho da manifestação.

Crime e comoção em Lucas do Rio Verde

Daniel Bennemann Frasson é acusado de matar a esposa, Gleici Keli em 24 de junho de 2025. Em seguida, ele atacou a filha, de 7 anos, que dormia junto da mãe, na casa da família, na Avenida das Acácias, bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde.

No local, a polícia entrou no quarto e encontrou Gleici na cama, sem sinais vitais. Já a filha do casal foi socorrida por amigos da família. A menina foi transferida para hospital em Cuiabá e ficou dias internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), tendo alta médica posteriormente.

Daniel teria tentado tirar a própria vida no dia do crime e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ele permaneceu dias internado e posteriormente transferido para uma penitenciária em Sorriso (MT).

O corpo de Gleici foi levado para Tangará da Serra, onde foi velado e sepultado. O laudo da Politec apontou que ela foi morta com cerca de 20 facadas.

Meses depois, o juiz Fábio Pettengill, da 2ª Vara Criminal de Lucas do Rio Verde, recebeu a denúncia do promotor de Justiça do MPMT, Samuel Telles, e tornou Daniel réu por feminicídio.

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