A Justiça de Mato Grosso determinou o arquivamento da investigação contra os empresários Nadim Makari e Cláudia Angélica Martins Makari, além das empresas Sorriso Indústria Têxtil e Fibra Cotton, no âmbito da Operação Safra Desviada.
A decisão foi proferida pela juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Sinop, após manifestação favorável do Ministério Público Estadual. Com o arquivamento, os nomes dos investigados foram retirados do procedimento e as restrições patrimoniais impostas contra eles foram canceladas.
Os empresários e as empresas foram incluídos inicialmente na investigação sob a suspeita de terem participado de operações destinadas à ocultação de ativos ligados ao Grupo Lermen. A apuração faz parte de um inquérito que investiga um suposto esquema de desvio de soja, milho e algodão, com prejuízo estimado em R$ 140 milhões.
Durante o avanço das investigações, no entanto, o Ministério Público concluiu que não foram encontrados elementos suficientes para vincular os empresários ao suposto esquema criminoso. A defesa apresentou contratos, notas fiscais, comprovantes bancários e documentos relacionados à entrega dos produtos negociados.
De acordo com a apuração, os pagamentos analisados estavam relacionados à compra antecipada de algodão, operação considerada comum no setor agrícola. A documentação teria demonstrado a regularidade das transações comerciais e afastado indícios de fraude, lavagem de dinheiro ou atuação conjunta com integrantes da organização investigada.
Ao homologar o arquivamento, a magistrada considerou que uma relação comercial anterior com pessoas investigadas não seria suficiente para responsabilizar criminalmente os empresários. Segundo a decisão, não foram identificados elementos concretos que ligassem Nadim, Cláudia ou suas empresas à organização criminosa.
Em junho, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso havia mantido os bloqueios patrimoniais durante a fase inicial das investigações. Na ocasião, os desembargadores entenderam que ainda existiam indícios que justificavam a continuidade das medidas cautelares. Posteriormente, com a análise de novos documentos e o aprofundamento das apurações, o próprio Ministério Público pediu o arquivamento em relação aos empresários.
A Operação Safra Desviada foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, o Gaeco, em fevereiro de 2026. A investigação apura um suposto esquema de desvio de cargas de soja, milho e algodão, além de manipulação de registros, movimentações financeiras suspeitas e ocultação de patrimônio.
Na primeira fase, a Justiça autorizou mais de 180 medidas cautelares, incluindo buscas e apreensões, bloqueios bancários, indisponibilidade de imóveis e sequestro de mais de 70 veículos. As ordens foram cumpridas em Mato Grosso e em outros estados.
O arquivamento beneficia especificamente Nadim Makari, Cláudia Angélica Martins Makari e as empresas relacionadas a eles, não representando o encerramento de toda a investigação da Operação Safra Desviada.