O Ministério Público Federal (MPF) instaurou dois inquéritos civis para apurar a insuficiência de profissionais de saúde nos hospitais regionais de Colíder e Sorriso. Os procedimentos foram abertos na sexta-feira (06.03) pela procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Denise Nunes Rocha Müller Slhessarenko.
Em Colíder, a 633 km de Cuiabá, a investigação foi motivada por denúncia de grave déficit de recursos humanos, com pelo menos 152 cargos vagos, comprometendo a continuidade da assistência à população. Fiscalizações do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO-9) apontaram irregularidades críticas, como ausência de coordenador técnico na UTI adulta, falta de fisioterapeutas em unidades de urgência e emergência e equipamentos com calibração vencida.
Em Sorriso, a 398 km de Cuiabá, o problema atingia principalmente os profissionais de enfermagem. A fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (COREN/MT) revelou que na UTI apenas dois técnicos e um enfermeiro atendiam dez pacientes graves, situação que viola normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Embora a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) tenha informado a convocação de 132 profissionais, ainda há leitos bloqueados e ausência de plano de ação com prazos definidos.
Os inquéritos têm como objetivo verificar se as irregularidades foram totalmente sanadas, garantindo a segurança e continuidade da assistência hospitalar à população. Ambos os casos envolvem recursos federais do Teto MAC (Média e Alta Complexidade), destinados à manutenção dos serviços de saúde.
O MPF determina que os resultados das apurações sejam comunicados à 1ª Câmara de Coordenação e Revisão, conforme a legislação vigente, e que a tramitação siga os procedimentos de publicidade e registro formal.
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