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Segunda-Feira, 22 de Março de 2021 07:49

Funerárias de Cuiabá fizeram estoque de caixões após alerta

As fábricas estão sem matéria prima, o que tem atrasado as entregas em até um mês por isso há sim o risco de faltar caixões, se o índice de mortes crescer além do estoque calculado.

A possibilidade do desabastecimento de caixões tem causado alarde em todo o país desde o início do mês de março, quando a Associação dos Fabricantes de Urnas do Brasil (Afub) informou que já está faltando matéria-prima para a produção devido à alta demanda.

“Já há falta matéria-prima para as fábricas produzirem, principalmente o MDF [painel de madeira], o TNT [tecido não tecido, feito de polipropileno] e o aço. Esses produtos sumiram do mercado e se continuar assim será inevitável o desabastecimento", diz o presidente da Afub, Antônio Marinho.

Procuradas, funerárias de Cuiabá e Várzea Grande, em um consenso comum, relataram que a possibilidade de faltar urnas neste momento ainda é inexistente, já que foram notificadas da possibilidade e reabasteceram os estoques tendo como base o pico de mortes da primeira onda em julho de 2020.

“A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) acendeu uma luz ainda em março do ano passado (2020), nós de Cuiabá fizemos uma reunião, nos baseamos nos números de óbitos registrados em países onde a pandemia estava mais avançada do que aqui naquele momento, colocamos uma margem para mais de 20% e começamos a trabalhar para atender em cima desse cálculo. Dessa forma, passamos pelo pico de mortes abastecidos e sem problema nenhum”, explicou Paulo Massa, diretor da funerária Santa Rita.

Paulo ressaltou que a segunda onda, período que estamos vivendo neste momento, já era prevista, embora no final de 2020 e começo deste ano os números da pandemia tenham caído bastante era previsível, assim como nos outros países, uma segunda onda de contágio no Brasil.

“Cuiabá não teve colapso no serviço funerário porque nós trabalhamos na preventiva, não esperamos a onda chegar para tomar uma iniciativa, nos antecipamos em meses. Porque as fábricas de urnas não têm a capacidade de atender a demanda de óbitos que têm acontecido devido à pandemia. Se não fosse essa medida aí poderíamos estar sofrendo com a falta de urnas nas funerárias. Então se não trabalhar dentro de uma logística não tem como. No meu caso, chegaram urnas para mim nesta madrugada e já tem previsão de nova entrega em 10 dias”, exemplificou.

Paulo explicou que essa programação funciona em cadeia. Da mesma forma que as funerárias se programam com as fábricas, essas precisam se alinhar com os fornecedores dos insumos para que não falte assistência funerária no país.

Antes da pandemia era possível encomendar urnas hoje e a entrega era feita até com 7 dias, porém, agora existe uma programação que pode demorar até 40 dias.

Segundo o diretor, a grande questão é o fato do aumento do valor dos insumos, desde às urnas funerárias até luvas, máscaras, equipamentos de proteção individual (EPIs) de forma geral.

“Cada atendimento são dois funcionários e cada um deles usa uma grande quantidade de EPIs, como orienta o protocolo de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e esses produtos tiveram aumento na casa de 120%, alguns chegaram na cada dos 160%”, relatou.

Em Cuiabá o serviço funerário funciona em estado de concessionária, ou seja, presta serviço para a prefeitura, assim como funciona as empresas de ônibus, ou seja, todo o serviço prestado pelas funerárias é tabelado pelo executivo municipal o que não permite que dentro da Capital os aumentos de produção sejam repassados ao consumidor final até que novas negociações.

Ou seja, dentro de Cuiabá os preços de urnas e demais serviços funerários são os mesmos do ano passado, quando a pandemia ainda estava no começo a agente ainda não tinha ideia da proporção que tomaria. O prejuízo tem sido arcado pelas ‘lojas’ funerárias, que estão pagando mais caro na compra, mas não podem repassar o valor ao consumidor.

“O que as pessoas mais observam nas funerárias são as urnas, essas para eu comprar dobrou de preço. Tenho produtos que eu já nem tenho margem lucro, que estou pagando para trabalhar, mas, isso tudo vai passar aí a gente vai sentar e ver com o prefeito o que podemos fazer para continuar conservando a estrutura que nós temos hoje”, desabafou Paulo.

O mesmo não se aplica às funerárias de Várzea Grande, lá as empresas trabalham no livre comércio, o que não impediria que os aumentos fossem repassados.

Porém, as empresas pesquisadas pelo #repórtermt garantem que em VG os preços também continuam os mesmos e os aumentos não foram repassados.

Isso pode ser reflexo da concorrência, já que o cidadão poderia deixar de comprar na Cidade Industrial e dar preferência para os serviços funerários da Capital.

Apesar de todo o caos social, emocional e financeiro causado pela pandemia, Paulo ressaltou a valorização e o reconhecimento da prestação dos serviços funerários.

“Somos no total 78 agentes funerários para atender Cuiabá e Várzea Grande. Cuiabá é exemplo para o Basil inteiro. Muitas funerárias grandes do país sofreram com colapso, falta de urnas, de carros, faltando tudo. Nós aqui fomos no Sul, trouxemos carros, contratamos funcionários, nos precavemos no quesito estoque para atender e está dando certo”.

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) colocou todos esses prestadores de serviço como de ‘linha de frente’ no combate à pandemia de modo que assim como os médicos e demais profissionais da saúde, os trabalhadores funerários também foram colocados como prioridade para a vacinação.

“Essa situação da vacina trouxe muita segurança para os funcionários. Os agentes funerários nunca foram prioridade, mas agora nós somos e Cuiabá foi pioneira. Ano passado eu via funcionários chorando no corredor por medo, pois, familiares ou amigos próximos estavam morrendo. Pensa! Somos 78 em Cuiabá e VG, se 30% pega covid aí seria o colapso porque não teríamos efetivo para atender. É o que eu falo para a minha equipe, temos que ter sabedoria e paciência porque somos a última barreira. Senão vem a cura, vem nós. A família da vítima está cansada, confusa, sofrida, então nós temos que estar bem para atender e dar o respaldo que precisa”,conclui.

Fonte: reporter mt

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