David Brescansin, de 60 anos, diz que deixou o Brasil em novembro de 2025. Em vídeo, ele fala sobre o custo do aluguel, a saudade da família e a esperança de voltar ao país.
“Aqui não tem mansão pra alugar, pra morar mesmo.” Foi assim que o produtor rural David Brescansin, conhecido como Davi, descreveu a vida na Argentina em uma entrevista em vídeo. Morador de Sorriso (MT), ele afirma que deixou o Brasil em 27 de novembro de 2025, dois dias depois de ser condenado a 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Aos 60 anos, Brescansin conta que encontrou apoio de outros brasileiros no prédio onde passou a morar e que falar castelhano facilitou a adaptação. Ainda assim, diz que alugar um quarto ou uma quitinete pesa no orçamento. Na entrevista, ele relata que doações ajudaram brasileiros que vivem no país a pagar exames e conseguir óculos. Também fala sobre a saudade de casa, a mudança na rotina da família e a fé em Deus como apoio para seguir em frente.
Trajetória em Mato Grosso e viagem a Brasília
Antes de morar em Sorriso, Brescansin construiu parte da sua trajetória em Nova Ubiratã. No vídeo, ele diz que ajudou a fundar o Sindicato Rural do município e que presidiu a entidade por seis anos e meio. Também afirma que participou da construção do parque de exposições e de atividades da Igreja Católica, onde atuou na diretoria ao lado da esposa.
Brescansin relata que viajou a Brasília em 7 de janeiro de 2023 e que esteve na Praça dos Três Poderes no dia seguinte. Segundo ele, gravou um vídeo no local e publicou as imagens em um grupo do Sindicato Rural. Ele afirma que a gravação foi usada em uma denúncia anônima e que soube do caso ao retornar a Mato Grosso. Ainda de acordo com seu relato, a Polícia Federal fez buscas no apartamento dele, em Sorriso, em outubro de 2023. Ele diz que teve o passaporte apreendido e que entregou armas que, segundo ele, estavam registradas.
O que decidiu o STF
Na Ação Penal 2.631, o STF condenou Brescansin por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. A pena foi fixada em 14 anos, em regime inicial fechado, além de 100 dias-multa. O processo registra que a condenação se tornou definitiva em 27 de março de 2026.
Na entrevista, o produtor rural afirma que solicitou proteção na Argentina e que possui um documento provisório. A situação atual do pedido segue sem confirmação independente. Ao falar da distância de casa, ele resumiu o impacto da mudança na família: “A vida pra quem tá aí continua. Mas pra quem tá aqui, ela continua, mas não continua.”