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Escolas de MT sofrem com falta de professores
22 de Março, 2017
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Uma semana após o início do ano letivo em Mato Grosso, escolas da rede estadual de ensino fundamental e médio enfrentam a escassez de professores nas mais diferentes disciplinas. Na capital, há unidades liberando os alunos mais cedo até que a Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) contorne o “apagão” de docentes existente no sistema. Para se ter uma ideia dessa demanda, das 5.748 vagas previstas no concurso da Seduc, 2.617 (45,52%) são para professor. 

“Sempre no início do ano letivo temos esse problema. Há algum tempo denunciamos esse ‘apagão’ de profissionais que existe em disciplinas mais críticas, como português, matemática, química, física e biologia”, destaca o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público do Estado (Sintep/MT), Henrique Lopes. “Além disso, se você percorrer todas as unidades vai verificar que nem todos os profissionais que estão dando aulas são habilitados na matéria”, reforçou. 

Na capital, uma escola que enfrenta esse “apagão” é a Benedito de Carvalho, que fica no CPA II. Lá, os alunos estão sendo liberados mais cedo por conta da falta de professores nas disciplinas de matemática, ciências e artes, além de quatro pedagogos para ministrar aulas nas turmas iniciais. 

Em cartazes fixados nas principais entradas da unidade, a direção informa que as aulas no período matutito terão início às 7h30 e vão até às 10 horas. Já à tarde, as crianças começam as aulas às 13h30 e serão liberadas às 16 horas, cerca de uma hora mais cedo. “Motivo: o quadro de professores da Seduc não está completo devido a problemas de sistema/Seduc”, informa. 

Enquanto isso, os alunos são prejudicados. A unidade conta com 530 alunos, do 1º ao 9º ano. “Estamos esperando os professores remanescentes serem atribuídos e estarem chamando os contratados”, destacou a diretora da Benedito Carvalho, Roseli Vicente da Silva. “Essa semana ainda deve-se resolver essa situação”, acredita. 

Porém, na própria escola há docentes “segurando” mais de uma turma. “Há inúmeros casos que um mesmo professor dá aula para mais de uma turma, em disciplinas para qual não tem formação ou licenciatura”, comentou Lopes. 

Mais uma vez essas lacunas encontram-se nas áreas de matemática e português, que são cobradas na “Prova Brasil”, avaliação desenvolvida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), que tem o objetivo de mensurar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional. 

Os últimos números divulgados nesta semana mostram que no Estado apenas metade dos alunos do 5° ano tiveram aprendizado adequado para português. Para os alunos do 9° ano, a aprendizagem foi ainda mais baixa em relação à disciplina, chegando apenas 24%. Em matemática o número é ainda menor, os alunos do 5° ano alcançaram apenas 35% do aprendizado adequado e os estudantes do 9° ano chegaram a 10%. 

Para Lopes, esse cenário é resultado da falta de valorização da categoria. No Estado, são aproximadamente 22 mil profissionais, dos quais 60% contratados ou temporários que têm buscado trabalhar em outros setores ou até outros Estados da federação. 

Hoje, a Seduc possui 40 mil servidores, sendo que 22,9 mil são professores. Destes, 9.231 são efetivos e 13.733 contratados. No concurso público previsto, serão ofertadas 5.748 vagas, entre todos os níveis de formação. Serão 2.617 vagas para professor (nível superior) da educação básica, 355 para técnico administrativo (nível médio) e 2.776 para apoio administrativo (nível fundamental). 

O processo seletivo faz parte de um acordo firmado entre a categoria e o Sintep. Segundo Lopes, o concurso já deveria ter sido lançado e o não cumprimento desse acordo é uma dos motivos da categoria ter aprovado, na última segunda-feira, estado de greve que pode ser deflagrada a qualquer momento. 

Este ano, as escolas do Estado iniciaram as atividades em datas distintas. Em 237 unidades, em que os profissionais não participaram da greve ocorrida no ano passado, às aulas começaram no dia 13 de fevereiro passado. Em outras 519, o ano letivo só retornou no último dia 13 deste mês, ainda assim com graves problemas de infraestruturas e com a falta de professores em várias delas. 

Procurada pela reportagem do Diário, a Seduc reconheceu a falta de profissionais na Escola Benedito Carvalho e que já houve atribuição na unidade, mas que nesse primeiro momento não aparecerem interessados em preencher as vagas. A Seduc, então, fez uma segunda análise ou chamada e acredita que até semana que vem o problema esteja resolvido. 

Fonte:folha max
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