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ARTIGOS | Salário Minino
Miséria de salário
08 de Fevereiro, 2014

O salário mínimo no Brasil é uma miséria. Isso não é novidade para ninguém. Em 2014, ele é de R$ 724. Esse valor é muito pouco para manter a qualidade de vida de um cidadão, quanto mais uma família composta por três pessoas. Mas o que poucas pessoas sabem, é que se dividir esse valor por 30, o salário diário é de R$ 24,13. E se dividirmos esse valor por 8 - números de horas diárias trabalhada – o trabalhador receberá R$ 3,01 a cada hora de trabalho.

Na Austrália, por exemplo, o salário mínimo é de R$ 4.480. Esse valor representa 6,18 vezes o salário mínimo pago aos trabalhadores brasileiros. Lá, por dia de trabalho, o cidadão recebe R$ 149,33 e, cada hora de trabalho diário representa R$ 18,66. O salário mínimo no Brasil é ou não é uma miséria? De que adianta sermos um país emergente e pertencer ao grupo das grandes potências econômicas se a distribuição de renda é injusta. " De que adianta sermos um país emergente e pertencer ao grupo das grandes potências econômicas se a distribuição de renda é injusta."

Não bastasse isso, a alta carga tributária paga pelo trabalhador aos Governos: Federal, Estadual e Municipal – desequilibra qualquer orçamento familiar. Tudo que o trabalhador consome, paga um tipo de imposto. Uma compra cujo valor total é de R$ 189,95, o consumidor vai pagar aproximadamente R$ 64,79 – ou seja, 34,1% da compra efetuada. É ou não é um absurdo. Os números não são fictícios, mas reais. Eles foram tirados do cupom fiscal de um Supermercado Atacadista de Cuiabá.

É o governo corroendo o salário do trabalhador de todas as formas. Outro absurdo é a cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, mas conhecido como IPVA. No Brasil, esse imposto é cobrado de acordo com a tabela da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica – Fipe – ou seja de acordo com o valor do veículo no mercado. Mas o valor do imposto varia de Estado para Estado. Nos Estados Unidos da América, esse imposto é cobrado em cima do peso total do veículo.

Lá, no estado da Flórida, de acordo com o programa Auto Esporte da TV Globo, o IPVA de um carro de passeio zero quilômetro pesando em torno de 1525,15 toneladas fica em torno de R$ 115. Já no Brasil, esse mesmo veículo pagará algo em torno de R$ 1.605,21. A diferença para o bolso do consumidor brasileiro com o do americano é de 1.395%. Mesmo assim, a contrapartida não existe pelo governo brasileiro.

Em Cuiabá, por exemplo, existem cadastrados 310.868 mil veículos – de acordo com dados de 2011 da secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana. Quantos milhões de reais não são arrecadados por ano. Mas a falta de respeito ao dinheiro do contribuinte é evidente.

A maioria absoluta das ruas é esburacada. O trabalho de tapa buracos é de péssima qualidade. A grande maioria das vias públicas não tem sinalização nem vertical muito menos horizontal. Há excesso de quebra-molas, quase 100% deles sem pintura. Aqui, na terra de Cândido Rondon, o contribuinte paga alto para ter serviço mau feito. E os gestores, não estão nem aí.

Outra distorção que vai sempre de encontro com a renda do trabalhador é às correções das tarifas dos serviços prestados à sociedade. No Brasil, enquanto o reajuste dos salários é de acordo com o índice inflacionário, geralmente na casa de 4% a 6% ao ano, às correções das tarifas oficiais são sempre maiores, ou seja, acima desses percentuais.

Este ano, por exemplo, a tarifa de água em Cuiabá deve subir 14,89%. Um absurdo, porque a inflação de 2013 ficou em 5,91%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No ano passado, o governo estadual lascou no lombo dos proprietários de veículos aumentos para lá de estratosféricos. Algumas taxas cobradas pelo Detran/MT chegaram a 100%. Mesmo assim, os serviços prestados à sociedade são de pouca excelência.

Infelizmente, isso já virou rotina. A farra com o dinheiro público parece não ter limites. Em todos os níveis de Poderes há suspeita de crimes como lavagem de dinheiro público, superfaturamento de obras, venda ilegal de documentos e vários outros tipos de golpes. Mas poucos são presos e depois condenados – obrigados – a devolver o que roubaram da sociedade. Por isso, é preciso dar um basta à impunidade. Caso contrário, seremos um país eternamente emergente.

ELZIS CARVALHO é jornalista em Cuiabá

Colunista :  ELZIS CARVALHO
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