As ideias das pessoas são pedaços da sua felicidade. William Shakespeare
ARTIGOS | Mentiras
As mentiras da história do Brasil
30 de Janeiro, 2014

Quando estudava na Escola Senador Azeredo em Cuiabá, lá pelos anos 60 do século XX, aprendi que o Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500.

A esquadra do valoroso Capitão português Pedro Álvares Cabral, por acaso, descobriu o nosso país. 

Depois de passar alguns dias em Porto Seguro, local do descobrimento, se mandou para as Índias em busca das especiarias que tanto encantava a Europa. 

Dois anos antes as Índias foram reencontradas através de um novo caminho, pelo também navegador português Vasco da Gama.

Depois o véu caiu e apareceu outra história. Sabe-se hoje que na mesma leva de embarcações de Vasco da Gama também viajava Duarte Pacheco, cosmógrafo/cartógrafo, que se afastou do objetivo da missão vascaína e chegou às costas do Brasil, levando a notícias ao rei Dom Manoel, “o venturo”. 

O motivo da viagem talvez esteja ligado ao descobrimento anterior realizado por Colombo no dia 12 de outubro de 1492, nas Antilhas. Se havia terra nova no pedaço, por que não verificar mais embaixo, não é mesmo? 

O segredo permaneceu por dois anos. Portanto, pensando por esta ótica, Pedro Álvares Cabral, veio apenas confirmar o que Duarte Pacheco tinha visto antes. 

Documentos espanhóis falam da visita de embarcações dos reis de Castela no nordeste, três meses antes de Pedro Álvares Cabral, que viu aqui na perspectiva de ilha e não de continente.

Mas afinal, quem descobriu a América, o Brasil e todos os países da nova terra. A resposta está nos índios, que segundo consta a arqueologia chegaram aqui entre doze a quatorze mil anos antes de cristo.

Então, por essa via de acesso é preciso rebater também o conceito de descobrimento e introduzir a versão de contato entre povos.

Nas primeiras relações entre europeu e indígena no Brasil, estudamos também a versão que os índios foram explorados, pois trocaram a rica madeira pau-brasil, por bugigangas sem valor, entre eles machados, espelhos, tesouras e colares. A valoração de novo é dada pelo conceito de historiador equivocado. 

Quanto tempo levava o índio para derrubar uma árvore com seus machados de pedras originais? O que dizer dos espelhos, das tesouras. O europeu introduziu o ferro numa sociedade praticamente primitiva, ou paleoíndio. 

O índio é outro ser sempre romantizado na história. Comemoramos de forma hipócrita o seu dia, em 19 de abril. Índios que matamos desde os primeiros tempos, continuamos estigmatizando-os e que comemoramos nas escolas de forma equivocada, fantasiando nossas crianças de índios americanos.


Pedro Felix é escritor em Cuiabá.

Colunista : PEDRO FELIX
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